Portugal consome o dobro de sal aconselhado pela OMS

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“Em Portugal a principal causa de morte são os acidentes vasculares cerebrais. Intimamente ligada aos AVCs está a hipertensão arterial não controlada. E relacionada com a hipertensão arterial está o consumo de sal”. A afirmação é do presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão Arterial, José Alberto Silva, este domingo, na Maia, durante as comemorações do Dia Mundial da Hipertensão.

Durante todo o dia, a população teve oportunidade de medir a tensão arterial, ouviu alguns conselhos sobre alimentação cuidada e a melhor foram de prevenir a hipertensão arterial. Puderam ainda participar em aulas de ginástica ao ar livre, tomar um pequeno-almoço saudável com Pão Vida e assistir a aulas de culinária promovidas pelo Chef Chakall, que elaborou receitas com baixo teor de sal. No domingo, foram também entregues os prémios do concurso de desenho infantil “Menos Sal faz Menos Mal”, levado a cabo pelos alunos das escolas da Maia.

Veja o vídeo:

Ao final da manhã, a Praça Doutor José Vieira de Carvalho recebia a ex-atleta olímpica, Rosa Mota. Veio participar na sessão solene e dar o seu testemunho. A ela., juntaram-se ainda o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, e o vereador da Educação, Acção Social, Desporto e Saúde, Nogueira dos Santos. Em uníssono apelaram à população para que pratique actividade física. “Seja andar na praia, nadar, dançar, fazer jogos, o importante é estarmos em actividade”, referiu. “Vamos prevenir já para que o médico não diga depois que é tarde”.

Tudo isto para sensibilizar a população para os riscos do excesso de sal. É que em Portugal consumimos o dobro do sal que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde que recomenda seis gramas de sal por dia. “Nós ingerimos em média 12 gramas por dia, o que é um consumo muito elevado”, afirmou o médico. Se formos falar das crianças, referiu, o aconselhado são três gramas por dia.

De acordo com José Alberto Silva, em outros países que tiveram o mesmo problema, por exemplo, a Finlândia, com uma campanha de redução da ingestão de sal, levando à redução de cerca de dois gramas na dieta, os AVCs diminuíram cerca de “60 por cento”.

A Sociedade Portuguesa de Hipertensão propõe-se conseguir também esse objectivo através das actividades de sensibilização das pessoas. Em primeiro lugar, “queremos dizer que o sol faz mal, que não devem usá-lo em exagero na alimentação e depois procurando responder às suas ansiedades, ensinando ou recomendando como é que se pode cozinhar sem sal e daí a importância deste dia mundial da hipertensão arterial, em que nós temos, com a ajuda do chefe chacal e de outras entidades, tentado passar a mensagem de como é possível cozinhar saudavelmente e reduzir o consumo de sal em Portugal”, justificou.

Apesar das campanhas que já têm sido feitas em Portugal, este responsável assume que “infelizmente” ainda não há resultados muito palpáveis. “Aqui há cerca de 30 anos o professor Fernando Pádua começou com programas na televisão em que alertava para este problema e apelava às pessoas para consumirem menos sal e ensinava como cozinhar”. A verdade, acrescenta, é que 30 anos depois “nós não estamos melhor do que o que estávamos nessa altura, portanto, algo tem falhado”. Poderá ser falta de comunicação dos médicos com os doentes, como também poderá ser falta de informação da população. Por isso, “nós propomos alterar isto e estamos a tentar que as coisas se modifiquem e que as pessoas fiquem sensibilizadas primeiro para medirem a sua tensão arterial e depois, se forem hipertensos, é procurar reduzir a pressão e terem uma vida mais saudável possível”.

Este ano decidiram comemorar a data na Maia porque “é o primeiro município do país que adoptou o Pão Vida, um pão com muito baixo teor de sal. O pão é distribuído nas escolas e é o único concelho no país que tem esta actividade”. Agora, a Sociedade Portuguesa de Hipertensão quis louvar esta atitude municipal.

Além do excesso do consumo de sal, aproveitaram também para sensibilizar as pessoas para a necessidade de fazerem actividade física e esta “tem que ser todos os dias não pode ser só ao domingo”. José Alberto Silva assume que o exercício terá de ser uma preocupação de todos e não apenas dos doentes. “É possível prevenir a hipertensão arterial adoptando hábitos de vida saudáveis”.

José Alberto Silva afirma que é “muito importante” que a sensibilização seja feita todos os dias e à falta de oportunidade para o fazer todos os dias, vão aproveitando estas oportunidades para lembrar este problema da hipertensão arterial, intimamente ligada à principal causa de morte em Portugal, os Acidentes Vasculares Cerebrais.

Isabel Fernandes Moreira