Prédios do Xisto com problemas na extracção de fumos e cheiros

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Desde há vários meses que moradores do empreendimento de habitação social do Xisto, em Vermoim, estão sem ventilação forçada nas cozinhas. O sistema foi instalado depois dos prédios terem sido construídos e estarem habitados, uma vez que não foram projectados com a instalação adequada para a extracção mecânica de fumos e cheiros.

O empreendimento é constituído por três blocos de apartamentos, num total de 90 habitações. Lucília Casimiro, moradora e administradora do condomínio da entrada com o número 83, pede uma solução para o problema.

Inicialmente, cada uma das cozinhas tinha instalado o seu próprio extractor de fumos, só que, como existe um tubo comum a cada quatro apartamentos, os fumos e cheiros acabavam por entrar em todas as casas. “Cada casa devia ter um tubo de saída”, diz Lucília Casimiro.

De forma a “corrigir” este alegado “erro de construção”, a Espaço Municipal, entidade responsável pela gestão dos empreendimentos de habitação social, e depois de efectuado um “estudo”, decidiu avançar com uma experiência no prédio de Lucília Casimiro e que consistia na colocação de um motor na chaminé que servia um correr de quatro apartamentos. Cada chaminé recebe os fumos de quatro apartamentos. Para esta experiência, Lucília e os restantes moradores tiveram de retirar os motores que tinham instalados nas cozinhas. Ficaram com uma alavanca que abre e fecha a zona de saída de fumos para a chaminé. O novo sistema mostrou-se eficaz, o que levou a Espaço Municipal a avançar com a instalação dos extractores mecânicos em todas as chaminés dos prédios. Um motor por cada quatro apartamentos. A partir daí, diz Lucília Casimiro, começaram os problemas. “Montaram e passados poucos meses, o do meu prédio avariou. Foi o primeiro a avariar”, lembra a administradora do condomínio. O aparelho foi substituído, mas voltou a avariar esta semana.

Ligação eléctrica dos motores

Os moradores colocam em causa as ligações eléctricas dos aparelhos. “Cada dois motores estão ligados ao mesmo cabo de alimentação. Se um avaria, o outro pára, e não devia. Temos de ir lá desligar o avariado para o outro começar a trabalhar”, explica José Casimiro. “Deduzimos que seja isso que estraga os motores”, acrescenta Lucília Casimiro. Antes de avariar, esta segunda-feira, o motor que servia o apartamento do casal administrador do condomínio dava já sinais de algo não estar bem. “Já andava há uns dias a ir abaixo. O meu marido ia lá acima ao sótão ligar o disjuntor e aquilo trabalhava. Hoje, ligou o disjuntor e deitou abaixo a luz do prédio. Tem de haver um curto-circuito. O motor está estragado”, diz. “No nosso prédio, quase nenhum morador tem ventilação na cozinha. E hoje, fiquei eu e os meus três vizinhos de baixo sem ventilação”, acrescenta.

Mas há quem esteja em pior situação. Lucília Casimiro diz que há apartamentos que estão sem sistema de exaustão de fumos há vários meses. Diz que os moradores estão a ficar cansados de esperar por uma solução que tarda em chegar, apesar dos esforços dos condomínios. Em dias de chuva e nevoeiro a situação torna-se mais complicada. Quando chega a altura de cozinhar, sem os extractores a funcionar, as paredes das cozinhas ficam a escorrer água. “Ninguém dá solução. É constantemente telefonemas para a Espaço Municipal e para a empresa de ventilação. Ainda na sexta-feira de manhã veio cá um engenheiro da Espaço Municipal. Perguntei-lhe quando é que isto ficaria resolvido, e disse-me que não podia prometer nada, porque não compete a ele saber quando é que vai ficar arranjado”, lamenta.

Espaço Municipal tenta resolver problema

Fialho de Almeida, administrador-delegado da Espaço Municipal, garante que está a fazer todos os esforços para resolver os problemas dos moradores do Xisto, embora reconheça que, neste caso, não está a ser fácil, ao contrário do que aconteceu noutros empreendimentos. “Nalguns sítios funciona impecavelmente, noutros não funciona bem. Temos feito várias tentativas para conseguir uma eficácia maior, mas ainda não conseguimos em todas as situações. Estamos a trabalhar para isso, e já gastamos bastante dinheiro no assunto”, explica. Especialistas da área têm ido aos empreendimentos, mas “não têm conseguido resolver. Hão-de conseguir”, refere o responsável da Espaço Municipal. Fialho de Almeida garante ainda que não há qualquer “desinteresse” por parte da empresa municipal responsável pela gestão dos empreendimentos de habitação social.

Relativamente ao facto de existirem situações em que os aparelhos estão avariados há vários meses, admite que “não seja exactamente assim”. “Tenho reuniões com as administrações de condomínio, quando me pedem, e não tenho registo que isso aconteça. Vou averiguar”, acrescenta. De acordo com o responsável, têm surgido problemas com a ventilação forçada em prédios de habitação social, que têm sido resolvidos. No caso do Xisto, “está a ser mais complicado”. “Uma coisa é a ventilação nascer com o prédio, outra coisa é colocá-lo lá depois”, explica Fialho de Almeida, que no entanto, afasta a ideia de tratar-se de um erro de construção. Prefere antes atribuir o problema a eventuais “erros de concepção”.

Fernanda Alves