Presidente da AEBA quer empresários mais ambiciosos

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José Manuel Fernandes lidera a AEBA
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Sob o mote de “Valorizar a Empresa e a Comunidade”, a direção da AEBA (Associação Empresarial do Baixo Ave) deu início em 2014, altura em que foram eleitos os novos corpos sociais, a um programa que visa projetar a AEBA como um exemplo de associativismo empresarial regional.

José Manuel Fernandes é o rosto deste rumo, que investe no apoio à internacionalização das empresas da região, a partir das micro, passando pelas médias até às grandes empresas. O importante, hoje em dia, como reforça o engenheiro que é um dos sócios fundadores da associação, é que o negócio seja global.

A AEBA é uma associação empresarial de direito privado sem fins lucrativos, que surgiu há 16 anos com o objetivo de apoiar e dar visibilidade aos empresários da região do Baixo Ave, com sede na Trofa, abrangendo ainda os concelhos de Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão, Maia e Vila do Conde.

A vocação da AEBA é a representatividade “transversal de uma comunidade empresarial em áreas comuns, e não para áreas muito sectoriais”, defende José Manuel Fernandes. Um dos exemplos da transversalidade da atividade de qualquer associação deste género, de acordo com o presidente, é apoiar o reforço da “nossa componente exportadora”.

Pequenas empresas podem ter negócios globais

Tendo em conta este propósito, José Manuel Fernandes adianta que há “dois projetos ao abrigo do Portugal 2020”, a que a AEBA se candidatou e espera que sejam aprovados, em que nos comprometemos a ajudar pequenas empresas. “Hoje em dia qualquer empresa, mesmo pequena, com  uma  atividade estruturada pode ter negócios globais e internacionalizar-se.

Estes dois projetos irão permitir ajudar muitas empresas, num dos desafios mais atuais para a associação e para o país”.

Nos últimos 16 anos, o tecido empresarial mudou muito com a ação da AEBA, tendo havido um “refinamento”, reconhece o líder da AEBA, mas os empresários ainda passam muito tempo dentro das empresas. “Isto é um erro”, frisou, ainda mais quando a associação está empenhada em criar novos hábitos e realizar seminários e ações diversas para trazer até aos empresários a informação e os especialistas dos mercados. Os empresários devem mostrar-se mais interessados neste trabalho da associação, avisa JM Fernandes, até porque “cada vez mais a informação deve ser procurada fora dos muros da empresa”.

Novos serviços inovadores

Fundada em abril de 2000, a Associação Empresarial do Baixo Ave merece a confiança de 666 empresas que se tornaram associadas. Com a perspetiva global de encarar o futuro e valorizar as empresas, José Manuel Fernandes refere que se está a “enriquecer a associação com novos serviços de certa forma inovadores”.

Exemplo disso é a dinamização de um FBC (Facility Business Center) para promoção de negócios dos associados entre si e com o exterior, o aumento da competitividade das empresas associadas e promoção das transferências de competências e do conhecimento das suas origens para as empresas. “Esperamos que vá ser um espaço de acolhimento de visitantes, que possam ter a oportunidade de, em poucos minutos, ver uma apresentação do que é o valor da região em termos económicos”.

Também estão a ser trabalhadas outras áreas novas como a ligação com a COTEC Portugal (associação empresarial para a inovação), o reforço da divulgação de novos mercados e o fomento de uma cultura global nas empresas para o aumento das exportações, explicou o presidente da AEBA.

Governo deve promover descentralização do conhecimento

É essencial acompanhar este processo de fomento da procura de novos mercados com uma descentralização do conhecimento regional. Se José Manuel Fernandes defendia, há alguns anos, uma maior descentralização de políticas e as coisas eram vistas mais em termos “físicos”, atualmente, considera que essa visão foi um pouco ultrapassada, porque a informação circula muito rapidamente, devido à evolução das tecnologias que a servem. Porém, considera que há “erros inadmissíveis” que se cometem por causa da falta de descentralização do conhecimento real dos problemas regionais.

Um exemplo que dá é a “lacuna na estratégia de planeamento rodoviário”. Existem três vias de acesso Norte/Sul (A1, A28 e A13), tendo uma delas, num espaço de 50 kms, “um investimento público colossal”. Por outro lado, comparou JM Fernandes, “numa área laboriosa como o Baixo Ave esqueceram-se de um troço de apenas 15 kms entre Trofa e Porto. Temos conhecimento de que há ameaças em relação ao projeto com especialistas a pedirem a reavaliação da nova variante”.

O empresário sublinha que é um “drama” esta estrada nacional 14, que atravessa a Trofa e é a única ligação de população residente e empresarial ao Porto, com todas as condicionantes que isso implica: “basta haver uma pequena inundação para as empresas ficarem tolhidas, já não são abastecidas nem conseguem enviar um simples pacote por um serviço de entregas”.
“As pessoas que trabalham e residem nesta região são vítimas destes ‘experts’. Por isso, a descentralização do conhecimento real dos problemas é o que ainda me preocupa mais nesta altura”, concluiu José Manuel Fernandes.

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