Primeira horta de Subsistência inaugurada na Maia

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Aida Santos é de Moreira e é também uma das mais recentes “agricultoras” da Maia. Foi uma das 41 contempladas com um talhão na Horta de Subsistência, desenvolvida pela Câmara Municipal da Maia, em parceria com a Lipor, junto ao mercado do Castelo da Maia. Os acordos de utilização, por um prazo de um ano, foram assinados, no passado sábado, na Quinta da Gruta. A cerimónia estava marcada para o local, mas a chuva obrigou à alteração de planos.

Aida Santos tinha feito uma formação de compostagem na Lipor, gostou e decidiu candidatar-se. “Não sabia é que ia ser contemplada mais cedo”, referiu. Não é das pessoas que foi contemplada que não tem emprego, no entanto, considera que se trata de uma boa iniciativa para as pessoas que estão desempregadas e vão ter a possibilidade de vender os produtos que resultarem da horta. “No meu caso, tenho muito onde consumir na família porque o consumo de sopa, principalmente, é fundamental lá em casa, toda a gente gosta e os produtos hortícolas vão ser consumidos lá em casa”, referiu.

Aida Santos não cumpre assim um dos requisitos para as pessoas se poderem candidatar à horta de subsistência. Não está desempregada. Essa “nova realidade social de maior desemprego e dificuldades económicas acrescidas para algumas famílias”, acabaram por estar na base da adopção do conceito “pioneiro” em Portugal mas “é uma ideia que já circula na Europa há algum tempo”, referiu o administrador delegado da Lipor, Fernando Leite.

Trata-se de uma horta com um fundo social com o objectivo especifico de reforçar o rendimento familiar através da possibilidade de venda dos produtos produzidos na horta. Neste caso, são 41 hortas, com cerca de 100 metros quadrados cada.

De acordo com o administrador delegado da Lipor, para a instituição foi “gratificante” estar novamente na Maia, desta vez, para a promoção de uma horta de subsistência, que visa não só a prática saudável da cultura biológica, mas também permitir a venda dos produtos”, recordando que existem 12 hortas de um tipo diferente desta na área de actuação da Lipor.

Da parte da Lipor, Fernando Leite garante que a instituição terá toda a vontade de continuar a colaborar e a ajudar. E aos “agricultores deixou votos de bom trabalho para os tempos futuros. “Não desistam e sempre que for preciso peçam-nos apoio que nós ajudamos”. “É o regressar ao que se fazia nos nossos quintais e que agora nos apartamentos não se consegue fazer”, acrescentou.

O vice-presidente da Câmara Municipal da Maia e vereador do Ambiente, António Tiago, louvou esta iniciativa da autarquia e da Lipor, “uma associação de oito municípios, cuja génese está relacionada com o tratamento dos resíduos destes mesmos municípios”.

Mas uma vez que esse problema está resolvido, salientou, isso permite aos municípios tratarem outros aspectos da qualidade de vida dos cidadãos.

Falou também do fertilizante “Nutrimais” produzido pela Lipor, que veio substituir o Fertor e que é vendido e colocado à disposição do mercado nacional e internacional. Depois, acrescentou, veio a reciclagem. António Tiago traçou o retracto da Lipor nos últimos anos, recordando tudo o que foi possível fazer nos últimos 13, 14 anos. “Há 15 anos não existia nada disto e agora vivemos com o melhor que há no mundo”, afirmou.

Voltando às hortas, que já não são uma novidade na Maia, uma vez que já existem três hortas pedagógicas, estas “têm um carácter inovador”, referiu, “pela sua componente de subsistência”. “Infelizmente vivemos momentos menos bons e a Maia não é um oásis, embora resista bem”.

Aos novos agricultores e agricultoras biológicas desejou felicidades para darem vida “a um projecto interessante, criativo e inovador”, concluiu

Isabel Fernandes Moreira