Problemas no centro escolar Maia Estação mantêm-se

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O Centro Escolar da Maia Estação continua a dar que falar. Mas não pelos melhores motivos. O que se julgava serem apenas pequenos problemas tornaram-se notícia. No mesmo dia em que o Presidente da República, Cavaco Silva, se deslocou à Maia para inaugurar o Centro Escolar de Gueifães/Vermoim, vários encarregados de educação de alunos da Maia Estação reuniam-se com elementos da autarquia. Foi-lhes dito que os problemas seriam solucionados em breve. Mas eles ainda existem. E são visíveis.

São vários os defeitos apontados pelos pais, que reclamam melhores condições desde o início do ano, que alegam ter começado cedo demais. As respostas pedidas pelos pais ao presidente da Câmara Municipal da Maia foram remetidas para o Gabinete de Imprensa da autarquia. Recorda o assessor de imprensa da autarquia, Fernando Moreira de Sá, que “os alunos antes estavam em escolas que não tinham condições”, mas admite que “houve falhas por parte do empreiteiro da obra”.

A Maia Estação abriu sem estar tudo pronto e sem as condições necessárias para receber os alunos. A começar pela via que serve a escola, a Travessa da Estação. Há poucas semanas, quase que era necessário um veículo de todo-o-terreno para chegar à nova escola maiata. Hoje qualquer ligeiro lá chega, mas metade da via está ocupada por valas, areia e terra. A questão das acessibilidades já foi esclarecida pela autarquia a PRIMEIRA MÃO. Fernando Moreira de Sá garante que “a obra faz parte de uma empreitada da qual também faz parte o alargamento do Zoo” e que estará pronta em breve. Nessa empreitada está também incluído um “grande parque de estacionamento que vai servir o Zoo e a escola”.

E como se deve imaginar, com a “obra em curso”, muitas são as contrariedades. Máquinas em movimento, terrenos irregulares, confusão, pó pelo ar. Uma envolvente que não é agradável para os alunos. Que não é agradável para os pais. Que não é agradável para quem lá passa. No entanto, garante a autarquia que o espaço foi escolhido por indicação de equipas técnicas. “O Centro Escolar da Maia Estação é aquele que tem o maior gimnodesportivo. Foi tudo pensado ao pormenor”, revela Fernando Moreira de Sá.

Uma das encarregadas de educação, Marta Martins, diz que “algumas das situações do espaço físico já foram resolvidas, mas outras estão ainda a aguardar solução”. Uma das que está mesmo para breve, “por dias”, garante a autarquia, é a questão do mobiliário escolar. “Na Maia abriram três centros escolares… mas não foi só na Maia. Em todo o país foram inúmeros. Isto foi uma decisão governamental, foi um aproveitamento de verbas do QREN para efeito imediato, nem para ontem nem para amanhã, e temos de compreender que as empresas que ganharam os concursos públicos internacionais não conseguiram dar vazão a tanta obra. Isso é responsabilidade da câmara? Não é”, diz Fernando Moreira de Sá. Acrescenta também que “foi atribuído um subsídio de 20 euros a cada criança para serem adquiridos brinquedos. Há um conjunto de queixas que os pais fazem que nos primeiros dias podiam ser justas, nesta altura já não são. As coisas não correram pelo melhor, mas não podemos responsabilizar quem não tem responsabilidade. E a câmara municipal anda a resolver problemas que não tem obrigação de resolver, mas resolve”.

A encarregada de educação Marta Martins recorda também o problema do recreio escolar, que os pais consideram “exíguo” para tantas crianças a frequentar o centro escolar. Três a quatro centenas. Além de pequeno, há o problema do piso, em paralelipípedo, onde já se verificaram quedas “com direito” a transporte de alunos para o hospital em ambulância. O problema, garante a autarquia, está a ser estudado e será implementado um piso em areia, mais suave, para tornar a superfície mais regular.

Ali ao lado, está um coberto. Ou melhor, aquilo que um dia será um coberto porque “o material ainda não chegou”. Palavras do empreiteiro da obra dirigidas à autarquia. Ainda de acordo com os responsáveis da obra, estão a caminho da Maia “umas telhas especiais em policarbonato” para solucionar o problema.

A cantina continua a ser um dos problemas apontados pelos pais. “Eles são pressionados a comer”, revela Fátima Sousa, outra das encarregadas de educação. “É a professora Felicidade que controla por vista quem come e quem não come”, acrescenta. Já a autarquia garante que todas as escolas têm turnos e que a Maia Estação é a única onde as reclamações surgem. “Sinceramente não vemos onde está o problema, porque os turnos são exactamente iguais aos dos outros centros escolares”, ressalva Fernando Moreira de Sá.

Ambiente e segurança

Fora das portas da escola, e além das acessibilidades, há problemas que acabam por afectar o estabelecimento de ensino. A Maia Estação é também vizinha de uma instalação da pertença da Câmara Municipal da Maia. Instalação que gera “muito ruído que leva as professoras a fechar a janelas, além de maus cheiros”, revela Marta Martins. Quanto a essa matéria, garante a autarquia que “a qualidade do ar está a ser estudada e se houver algo a fazer, será feito”.

A segurança é também uma das preocupações dos pais. “Quase que é pedido a um único funcionário que decore as caras dos encarregados de educação e as associe aos alunos. Não é a maneira mais viável e correcta de se fazer as entradas e saídas. E há ali um período em que as entradas e saídas não são controladas”, revela Marta Martins. “Há ali um problema entre as 7h30 e as 8h30, e também depois das 18h00. Mas isso é um problema que tem de ser colocado ao agrupamento e resolvido pelo mesmo”.

Uma escola ainda sem as condições necessárias para o funcionamento mas que de acordo com a autarquia tudo estará bem em breve. Para já, os encarregados de educação não pagam. Mas não é porque não querem. É porque não lhes pedem. Cantina e Serviço de Apoio à Família estão a ser serviços dados. “O meu filho almoça todos os dias na cantina. Até hoje ainda não paguei nada”, revela Paulo Cunha.

Pedro Póvoas

8 COMENTÁRIOS

  1. Literalmente come-se pó….

    Mas também há pais que podiam ter um pouco mais de consciência e estacionar os automóveis um pouco mais longe da escola. Mas não, como sempre, prevalece o comodismo português.
    Fala-se mal, mas leva-se o carrinho até à porta da escola!

    Custa andar um bocadito, e salvaguardar a saúde dos nossos filhos?

    Além do pó levantado pelos automóveis que circulam acima da velocidade minima (e que todos sentimos, inclusivamente os nossos filhos que estão lá o dia todo), existe o perigo de uma criança sair da escola, e poder acontecer uma tragédia maior que uma cabeça rachada.

    Claro que há muitas coisas na escola que estão más, mas porque vamos nós contribuir para as piorar?

    Isto fica com a consciência de cada um….

  2. Penso, como mãe que as questões que se colocaram à autarquia foram respondidas. Se fram ouvidos na passada semana pela autarquia porque não aguardarem. Será que estes pais se esqueceram que na escola de onde os nossos filhos vieram ( Maia sede ) tamém se comia por turnos? Se forem à escola da Maia ou a outra escola reparavam que em todas elas se come po turnos. Julgo que temos que dar espaço às pessoas para fazerem o seu melhor, julguemos no fim.
    Lamento neste momento ver a escola dos meus filhos nos jornais sempre por estes motivos. Para a próxima talvez a notícia possa ser que os pais se juntaram para uma festa na escola.
    Também gostava de recordar alguns que na nossa antiga escola ( para uns exemplar) o recreio é em cimento, as quedas qd dadas são tão graves como estas, mas estamos numa de exagerar!! Relativamente às entradas para além do Sr Barbosa tb não tinhamos mais ninguem a controlar e a “decorar as caras”.
    Será que com estes comentários as auxiliares que lá trabalham e as professoras não sentem até menos motivação?? Por favor deixem trabalhar as pessoas e os nossos filhos.

  3. deixem-me rir…

    caros pais,

    Como vemos nos 2 comentários anteriores…está mais que provado que a culpa é dos pais. São chatos…embirram com tudo ..não deixam as pessoas( o que serão os pais?…bichos?) trabalharem..fazerem o seu melhor. Afinal a culpa nem é da Câmara(como diz o sr. Fernando Moreira de Sá)…..a culpa é de quem meus caros?..de quem?…dos pais!.. pois está claro!!! Reparem no exemplo -“..As coisas não correram pelo melhor, mas não podemos responsabilizar quem não tem responsabilidade. E a câmara municipal anda a resolver problemas que não tem obrigação de resolver, mas resolve”….”.
    Numa linguagem de jogadores e treinadores de futebol:..Quanto à Câmara…ela está a trabalhar bem..está de parabéns …mas tem de trabalhar mais…para melhorar e chegar aos objctivos…com tranquilidade…..com muuuiiitaaa tranquilidadeee….zzzzzz…
    Por isso pais estejam descansados e tenham juizo que a Câmara está a tratar de tudo..calma…esperem para ver(“..julguemos no fim…”)..Para ver o quê?..pois ..o quê?…o parque de estacionamento e dos respectivos acessos que já deviam ter sido feitos antes de começarem a escola ….a escola que já devia estar concluida……quanto ao resto..(pausa na ironia)…o resto realmente são pormenores…a mim não me preocupam os turnos para comerem na cantina…a cantina não é um dormitório..é comer e andar…deixemo-nos de lamechices….há limites para tudo…ai o meu filhinho… coitadinho ora por isto ora por aquilo…Passamos do tempo em que os pais(e professores) “educavam” à estalada para uma era em que os filhos são tratados como copos(vasos,etc) de cristal…..ai se uma mosca lhes toca…é logo uma queixa para o ministério do ambiente e processam a mosca …..
    Bem…esta última parte, foi só um grito de revolta…como dizia uma mãe……e é certo que não estou a generalizar.
    Quanto ao nosso querido centro escolar Maia Estação…..estejam tranquilos…..como revela Fernando Moreira de Sá –
    “…O Centro Escolar da Maia Estação é aquele que tem o maior gimnodesportivo. Foi tudo pensado ao pormenor…”.UAUU…ao pormenor…imaginemos se não fosse….
    Podemos concluir que a demora se deve também a tudo ter sido pensado ao pormenor….neste pais tudo é pensado ao pormenor…POR MENOR..
    ….e mais não digo…
    Como diz a sra Maria(comentário anterior)….”..Lamento neste momento ver a escola dos meus filhos nos jornais sempre por estes motivos. Para a próxima talvez a notícia possa ser que os pais se juntaram para uma festa na escola…”…..Por isso meus caros não resmunguem…pensem antes em organizar uma festa…isso uma festa…(não somos afinal um pais de festas?)…e até espaço não falta…temos o maior gimnodesportivo do mundo….quer dizer da Maia…

    ….Uma boa semana para todos…….com tranquilidade..

    ass:
    pai de um filho de 7 anos e de uma filha de 3 anos…e já agora casado à 11 anos….com uma mulher…

  4. Efectivamente há um rol de queixas dos pais que se justificam! A Escola foi aberta sem condições e evidentemente a “culpa” não é do Governo por ter decidido a abertura!…Desculpas de mau poagador! já agora o Governo terá culpas por ter decidido reestruturar e renovar o Parque Escolar do País? Valha-nos Deus! Há quanto tempo e quantas pessoas se queixaram da falta de acessos, por exemplo? E agora à laia de desculpa afirmam que estão a tratar disso!…Pois não é que agora prevêm asfaltar parte da antiga linha do comboio onde ainda há um ano (a Escola já estava a ser construida) falavam em ciclo-via da Estação até Mandim?! Veremos oinde vai desembocar tal acesso e o que daí vai resultar…Evidentemente o yktar!m

  5. Hoje dia 20/10/2010, estive no Centro Escolar Maia Estação à hora de almoço para ver o meu filho que passou mal a noite com dificuldades respiratórias e como uso lentes de contacto, estou aqui aflita dos meus olhos por causa do pó que se come por aqueles lados, se os meus olhos se sentiram em cerca de meia hora que estive por lá, gostava que todos pensassem nos pulmões daquelas crianças…
    Sr. Presidente da Camara Eng Bragança Fernandes e Sr. Prof. Benjamim Sousa, convido-os a montar os vossos gabinetes naquela escola para verificarem de perto em que condições estão estas crianças, professores e demais pessoal auxiliar.
    Uma verdadeira vergonha, até porque nos foi dito em reunião havida a 07/10/2010, que o Sr. Presidente mandou parar as obras…, Será que ele manda alguma coisa.
    Este meu comentário seguui para o e-mail presidente@cm-maia.pt

  6. Realmente já começa a ser demais, queixas, queixas, queixas… Será que podemos começar a dar um bocadinho de descanso? O Verão e consequente época de incêndios já passou, mas isto parece um grupo de pirómanos. Sou pai de uma criança que frequenta a escola e por favor, sejamos objectivos nos verdadeiros problemas. Vigas, turnos no refeitório, piso do recreio, pó, não poder entrar com o carrinho dentro da escola? Tenham dó, na escola onde andavam o ano passado já era assim e não se resmungava. Preocupa-me saber se os professores têm condições de trabalho, se os nossos filhos andam motivados e alegres, se a comida tem qualidade, se o mobiliário do jardim de infância já lá está todo, se o sr que está à porta é uma solução acautelada em termos de futuro para que tão breve quanto possível seja o nosso Sr.Barbosa, se a biblioteca vai ter livros em breve, se a sala de informática vai poder funcionar brevemente, se logisticamente a escola tem tudo o que precisa e se não, se demora muito. Quanto ao resto, é secundário. Politicos que vêm aqui deixar os lamentos (politicos claro), pais e mães que cada vez que vão à escola é uma tragédia, denúcnias de reuniões (onde nem ficamos a saber com quem foi a reunião e quem disse o quê), mães a pedir a demissão de funcionários da Camara Municipal (entre outros a arquitecta), má educação e violência barata para com as pessoas da escola e agrupamento, onde conta quem viu nem a Associção de Pais ficou incólume. É triste, muitos de nós que conversamos questionarmos que motivação tem muita gente que anda a reclamar, pois do essencial não os ouvimos. A ver pelo último comentário as crianças, coitadinhas, estão num sitio horripilante, onde nós pais continuamos a ir diariamente, sem coração ali as deixamos para mais um dia de torturas… Se à Camara Municipal da Maia lhe pode ser assacada a responsabilidade de uma abertura precoce, diria que sem condições, com muito para fazer (a sua responsabilidade é tão rápido quanto possivel “acabar” a escola), aos pais pede-se objectividade para os verdadeiros problemas. Tenho uma última pergunta, em que transformamos a escola, o ritmo de trabalho das crianças, professores, se todos formos a correr para a escola, quando o nosso filho passa mal (e não é de todo o passar mal que me leva a esta questão) e nos deixarem, ou nos permitirmos a estar na escola meia hora, não estaremos a invadir e comprometer o espaço escolar, mesmo que os pais devam participar na vida da escola? Para mais quando os nossos olhos estão tão sensíveis…

  7. Só vou fazer um comentario a este pai pelo nome de LUIS MARTINS, como deve estar ao corrente de todos os problemas da escola como demonstra!! NAO SEI SE SERÁ… Deve ter em conta que até agora o que os pais reclamaram com as entidades responsabeis pela escola foi com as melhores das intençoes pelo bem estar dos nossos FILHOS…
    LUIS MARTINS se não se encomoda com as condiçoes do seu filho paciencia… hoje dia 22 de Outubro eu vi como os meninos desta escola estavam no recreio a divertirem-se a tirar os FAMOSOS PARALELIPIDEDOS do recreio acha bem esta situaçao do piso? e se algum miudo lhe passar pela cabeça de pegar numa dessas pedras e atirar num acto de brincadeira depois se for com O SEU ai SIM voce vai reclamar com o responsabel pela escola. NAO DIGA É DEMAIS… Participe e apoie pelo melhor para os meninos desta escola terem melhores condiçoes porque no fim do ano as obras do exterior vão continuar continuar e vamos ENGOLIR o PÓ durante todo ano os pulmoes daquelas crianças vão sofrer…como deve deixar o seu filho e poe-se a andar ok olhe bem ao seu redor não deve ter reparado.

  8. Caro Pai Paulo, pedir objectividade nas queixas realmente importantes, e não nas acessórias, como muita gente anda a fazer, não é deixar o filho e não olhar à volta, antes pelo contrário, desde o primeiro dia que o tenho feito. Preocupação temos todos nós, principalmente quando a escola não abriu já terminada, mas daí a pegar em tudo, até ao mais pequeno pormenor, tenha-se dó… E se meu filho algum acidente tiver, cá estarei para aferir do mesmo e se tal decorreu da normalidade que no meu padrão um estabelecimento deste tipo pode potenciar, ou se o mesmo teve a ver com alguma razão fora deste âmbito. Quantos de nós no nosso tempo de primária não subimos às árvores e partimos um braço, abrimos a cabeça? Quantos não pegámos em pedras que por vezes apareciam no recreio e nos divertimos a mandar com elas uns aos outros? Quantos a jogar à bola, não esfolámos os joelhos, os cotovelos no asfalto, na pedra, ou na terra? Não queiramos fechar os nossos filhos na redoma, que possivelmente não teriamos gostado, e não teriamos as mesmas recordações que hoje ainda temos da nossa infância. Reclamar sim, mas de forma objectiva, ante problemas reais. Se preocupa os paralelos estarem nas mãos das crianças? Claro que preocupa, mas nós no lugar deles também não procurávamos a maneira de os levantar? Vamos pedir para levantar os paralelos? Se ficar em terra não teremos as queixas de outras escolas (lembro-me de cabeça da cidade jardim), por causa do pó e da sujidade com que nos chegam a casa? Queremos que se substitua o piso? por que tipo de piso? Falar é tão fácil, deduzo que não seja gestor de empresa, caso contrário não reduziria o caso a tanta facilidade…

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