“Procuram-se Abraços” para as crianças e jovens em risco

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A Maia é a “capital” da campanha “Procuram-se Abraços” da Fundação Mundos de Vida, da Trofa. Foi apresentada no salão Nobre da Junta de Freguesia de Vermoim, “como forma de, simbolicamente, afirmar o objectivo de alargar e intensificar a nossa acção em concelhos do distrito do Porto”, referiu o presidente da Mundos de Vida, Manuel Araújo. Entre outros convidados, a cerimónia contou com a presença dos padrinhos da campanha, Jorge Gabriel e Sónia Araújo, com o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, e a Secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz.
A Mundos de Vida é a única instituição em Portugal que, desde há cinco anos, conta com um serviço especializado de acolhimento familiar de crianças e jovens, possuindo já uma bolsa de 50 famílias de acolhimento.

O grande desafio da campanha de 2011 é “continuar a procurar, formar, acompanhar novas famílias de acolhimento para respondermos às necessidades do país e da nossa região”, sublinhou Manuel Araújo. Porque, “um bom centro não substitui uma boa família, e muitas vezes, uma boa família é a melhor solução”, diz aquele responsável.

Para o efeito, foi lançada a Rede “Procuram-se Abraços”, através da celebração de protocolos com as câmaras municipais, comissões de protecção de crianças e jovens em risco, estabelecimentos de ensino, órgãos de comunicação social e empresas. Actualmente, já fazem parte desta rede, 50 entidades, entre as quais, 10 municípios dos distritos de Braga e Porto, onde irá desenvolver-se a campanha. Desta forma, pretende-se garantir a todas as crianças, o direito de crescerem numa família e proporcionar-lhes um “projecto de vida”.

Como anfitrião da campanha e membro da rede “Procuram-se Abraços”, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes confirmou o empenho em “colaborar em diversas acções de promoção dos direitos das crianças, em especial daqueles que se encontram em situações de maior risco e fragilidade social”. Reconhecendo que, nos dias de hoje, encontrar famílias dispostas a acolher crianças “não é tarefa fácil”, o edil maiato apelou à unidade e solidariedade de todos os parceiros, “de forma a sermos capazes de contribuir para que as crianças temporariamente afastadas dos seus pais, possam encontrar uma nova casa, uma nova família, evitando o recurso às instituições”.
Como padrinho da campanha “Procuram-se Abraços”, e reconhecendo a importância desta causa, Jorge Gabriel aproveitou também para pedir uma maior atenção aos “velhos”. E deixou um desafio aos presentes, e em especial à Mundos de Vida, para que a rede de apadrinhamento “se estenda àqueles que estão sozinhos em casa que, pelas mais diversas vicissitudes da vida, foram abandonados, postos de parte, esquecidos, e fazer com que eles também possam caber neste abraço”.

Quase 10 mil crianças em instituições

Em Portugal vivem quase 10 mil crianças em centros de acolhimento, e menos de mil vivem em famílias de acolhimento. Uma realidade que contraria as boas práticas europeias, que aconselham o acolhimento familiar como primeira medida. Para isso, é necessário encontrar uma nova geração de famílias, e isso passa pela “mudança de mentalidades” e por uma maior “cultura” de acolhimento por parte das famílias portuguesas.
Para além das vantagens que o acolhimento em família tem para as crianças e jovens em risco, é também para o Estado a opção mais económica, uma vez que envolve menos investimento, de acordo com o presidente da Mundos de Vida. “Comparando a qualidade com o custo, o acolhimento familiar fica mais barato ao Estado do que o institucional, porque não são necessários tantos investimentos, nomeadamente, em instalações”, justificou Manuel Araújo.
A secretária de Estado da Reabilitação, Idália Moniz lamentou o facto de serem ainda muitas as crianças em instituições de acolhimento, cerca de 9500. E destacou também o trabalho que tem vindo a ser feito pelo seu ministério, desde 2006, ano em que pela primeira vez foi feita a contagem e caracterização das crianças e jovens em acolhimento institucional.

A meta anual estabelecida pelo Governo, para a “desinstitucionalização” da criança é de “25 por cento”, que no entanto, não deve ser feita a qualquer preço. “Só se pode promover a desinstitucionalização de uma criança se ela for segura. Não é feita a qualquer preço. Por isso, as crianças têm um projecto de vida, apostamos na qualificação do acolhimento, colocamos mais de 350 técnicos em instituições, fazemos formação, lutamos contra moinhos de vento”, aludiu Idália Moniz.
Apesar dos esforços do Governo, a verdade é que o número de crianças institucionalizadas tem vindo a aumentar em Portugal, muito por culpa das alterações introduzidas no regime de apoio financeiro ao acolhimento familiar. Ou seja, ao contrário do que acontecia, a família de acolhimento não pode ter qualquer relação de parentesco com a criança ou jovem em risco.

As famílias que tinham laços de parentesco com as crianças passaram a ser classificadas como “meio natural de vida”, impedindo-as de beneficiarem do regime de apoio ao acolhimento familiar. Com isto, lamenta Manuel Araújo, “Portugal está pior classificado” no que se refere a crianças institucionalizadas. Há, por isso, um longo caminho a percorrer.

Fernanda Alves

Mais:
Fundação Mundos de Vida na Internet

3 COMENTÁRIOS

  1. Uma excelente iniciativa! E para esta peça e jornalismo ser útil, era bom que indicasse aos interessados como proceder para aderir a esta campanha.

  2. Olá.
    Obrigado pelo apontamento. A notícia recebeu um acrescento contendo a ligação para a Fundação Mundos de Vida.

  3. Tudo que pode ser feito pelas criasnças deve ser feito para as integrar num ambiente familiar saudável.
    Eu pessoalmente estou a pensar em acolher uma crianças em casa.
    Bem hajam

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