Professores de EVT protestam contra a eliminação da disciplina

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Cerca de 12 mil professores de EVT, Educação visual e Tecnológica, de todo o país têm o desemprego como cenário mais provável no próximo ano lectivo. A intenção do Ministério da Educação é, já a partir de Setembro, acabar com EVT e substituir por outras duas disciplinas semestrais, que podem ser Tecnologias de Informação e Comunicação e Educação Visual, isto é, disciplinas que não se estendem à vertente tecnológica.

Em período de discussão pública, a Associação Nacional de Professores de EVT decidiu que era necessário fazer ouvir a voz de protesto, contra esta “medida economicista”, realizando esta manhã uma concentração junto ao Fórum da Maia.

Cerca de 70 professores do Grande Porto reuniram-se em acção de luta, vindos de escolas do Porto, Paredes, Marco de Canaveses, entre outras localidades.
Ana Gomes, professora da EB 2/3 de Paredes, critica a atitude economicista do governo, que, sublinha, “vai mandar muitos professores para a rua”. A docente refere que “o bom senso deve imperar”, pelo que não se deve acabar “com esta disciplina de sucesso nas escolas”. Por outro lado, Ana Gomes afirma que não serão apenas prejudicados os professores, “quem irá perder muito com esta medida serão os alunos, que ficam sem um ensino de qualidade, com as vertentes do Saber e do Saber Fazer”.

Joaquim Teles, da EB 2/3 de Cristelo, no concelho de Paredes, aponta que a destruição do paradigma do Saber e Saber Fazer nas escolas vai prejudicar bastante a Educação e evolução dos jovens. E explica: “estamos a quebrar a parte teórica e a parte prática.
Quando não se poderá dar continuidade prática à teoria, há uma série de competências que se perdem. Mesmo que tente dar alguma aplicação da teoria não conseguirá grandes frutos com turmas de 28 alunos”.
Para este docente “o desenvolvimento da criatividade, o Saber Fazer, vai perder-se e “estamos a precisar neste momento, dado que um dia mais tarde, jovens terão dificuldades em profissões ligadas à Arquitectura, Design, Belas Artes. Todas estas profissões vão sair lesadas, já que se não temos a semente, não teremos frutos”.

De acordo com Joaquim Teles, uma transformação como esta deveria ser bem estruturada e “aplicada de forma bem preparada em termos pedagógicos e nunca num prazo de menos de 3 anos”. Isto para dar tempo, explicou, “aos milhares de professores de EVT se prepararem para poderem leccionar outras disciplinas, no futuro, e não serem enviados de imediato para o desemprego, porque até Setembro os professores não têm tempo de fazerem uma formação adequada e conseguirem adaptar-se a esta transformação”.
Já em Setembro, asseguram os docentes, o Governo pretende acabar com Educação Visual e Tecnológica, fragmentando a disciplina em duas outras semestrais, que não terão a vertente tecnológica.

Angélica Santos