Projecto de prevenção solar chega aos pais (vídeo)

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Estima-se que uma em cada 75 pessoas tenha cancro de pele. O número foi avançado por Cristiana Fonseca, do Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro, na escola EB1 do Monte Calvário, esta terça-feira, numa das acções de sensibilização para os pais, no âmbito do projecto “Com o sol no coração vamos ter precaução”.

Depois de um trabalho anual que é feito junto das escolas básicas do concelho da Maia com os alunos para a prevenção e precaução solar, o projecto decidiu estender a iniciativa e chegar até aos pais com o intuito de os elucidar quantos aos efeitos benéficos de uma exposição solar equilibrada e dos perigos decorrentes de um exagero de “banhos solares”.

Nesta primeira fase, Cristiana Fonseca esteve na escola EB1 de Pedras Rubras, EB1 do Lidador, em Vila Nova da Telha e Monte Calvário, em Nogueira da Maia. Outras se vão seguir até que em Junho irá participar em algumas sessões de esclarecimento nos infantários geridos pela Santa Casa da Misericórdia da Maia.

Na EB1 de Monte Calvário a adesão dos pais foi reduzida até porque a sessão decorreu já fora do horário escolar. No entanto, esta responsável acrescenta que “nunca é fácil” falar sobre uma temática que também “não é a mais agradável” para as pessoas. “O cancro continua a fazer medo e as pessoas tendem a fugir”, justifica.

Diz Cristiana Fonseca que o cancro enquanto doença é “assustador”. “As pessoas têm a ideia de que mata e não querem ouvir falar e continua a ser um bocadinho tabu”. Por outro lado, o cancro de pele parece não assustar tanto as pessoas porque “se fala de cancro mas quase não se fala de mortes por cancro de pele e as pessoas acham que é daqueles que pode facilmente ser curado”.

De acordo com a responsável da Liga Portuguesa Contra do Cancro as pessoas têm que perceber e fazer a distinção entre os melanomas, que “são malignos e que têm uma grande taxa de mortalidade” e os carcinomas, “que são em maior percentagem e que são mais facilmente tratáveis e não levam tanto à morte mas cuja incidência é bastante grande”, explica.

Aos pais, nestas sessões tenta passar os ensinamentos que já foram incutidos nos filhos, ou seja, qual o grau de protecção que se deve usar, que mesmo à sombra se está sob risco, que há determinado tipo de roupas que se devem utilizar em detrimento de outras, que não se deve estar na praia a partir das 11h00 por muito que se pense que dentro da barraca se está protegido. “Tudo isto, às vezes, são dúvidas que os pais têm e que à partida são esclarecidas”. Depois, no período de debate surge outro tipo de questões, por exemplo, que tipo de óculos de sol devem ser usados, que cores de roupa são mais indicadas, se os óculos graduados constituem maior risco porque causa da radiação através do vidro.

Estima-se então que uma em cada 75 pessoas tenha melanoma. Tendo como referência os últimos 20 / 30 anos, segundo Cristiana Fonseca, os números mostram uma grande alteração. Nessa altura, “havia uma maior protecção até na própria roupa de banho que se usava”. “Há 20 ou 30 anos estávamos a falar de um cancro por cada 1500 pessoas e agora um cancro para cada 75”.

Um dos factores que pode ter contribuído para este aumento, acrescenta, pode ser a sobre-exposição, ou seja, “o facto de a pessoa achar que por estar com protector solar com factor 50, por exemplo, pode estar exposta ao sol sem correr riscos, isto não é verdade. O efeito de eu achar que estou protegido faz-me perder aquele medo que me obriga a estar mais à sombra e isso é um risco real nos dias que correm com o avanço da cosmética”, conta.

Isabel Fernandes Moreira