Projecto prevê uma nova Quinta da Pícua

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O projecto do Plano de Pormenor da Quinta da Pícua envolve uma área de intervenção de 41,2 hectares. A intervenção prevista inclui a criação de espaços verdes públicos, equipamentos desportivos e culturais, a construção de uma superfície comercial, zonas de comércio e habitação. O projecto está em discussão pública, desde o passado dia 21 de Junho. Até 20 de Julho, os munícipes poderão apresentar as suas reclamações, observações, sugestões ou pedidos de esclarecimento, mediante requerimento dirigido ao presidente da Câmara Municipal da Maia.

A área bruta de construção prevista para a Quinta da Pícua é de aproximadamente 311 mil m2 – a maior parte será para habitação, prevendo-se a construção de 2121 fogos. Os restantes 33 mil m2 estarão reservados para Comércio. Está ainda reservada uma área de espaços verdes públicos de 73.156 m2. O projecto reserva ainda uma área de construção de 250 m2 para equipamentos desportivos e de 924 m2 para equipamentos culturais. Oito é o número máximo de pisos dos edifícios a construir na Quinta da Pícua.

Impacto da superfície comercial

O projecto prevê a construção de uma superfície comercial com 9800 m2, mas o relatório final da Carta de Ruído do Plano de Pormenor da Quinta da Pícua alerta para os efeitos negativos da sua implantação, ao nível do ruído. “A instalação da nova superfície comercial acarretará diversas actividades potencialmente geradoras de ruído, designadamente as que resultam do tráfego rodoviário associado à sua exploração e das emissões sonoras de equipamentos a instalar”, lê-se no relatório. Aliás, o projecto implicou uma adaptação da Carta do Ruído da Maia.

Na globalidade, a zona analisada não cumpre os limites estabelecidos na legislação aplicável, “já que os valores de nível sonoro estão acima dos limites recomendados”.
A A4 e Rua D. Afonso Henriques são as principais fontes de ruído.

No que se refere ao impacto da superfície comercial no comércio concorrente (outras superfícies), o relatório de avaliação de impacto refere que a sua localização “não oferece impactos significativos”. Aliás, considera que irá “suprimir uma carência existente e que poderá aumentar com a execução do Plano de Pormenor e a chegada de novos residentes”.

Já no que se refere ao comércio tradicional existente na área envolvente, a instalação da superfície comercial, e de acordo com o estudo de avaliação, poderá ter um impacto negativo no comércio já existente, mas por outro lado, poderá também contribuir para a sua modernização e para uma maior competitividade de preços. Por isso, e de forma a diminuir os efeitos negativos da sua instalação, o relatório propõe a “diminuição da área de construção da superfície comercial, vocacionando-a para a distribuição alimentar exclusiva”. Em vez dos 9800 m2, o relatório de avaliação de impacto propõe uma “área de construção de 6640 m2, com uma área de venda ao público entre o 2 mil e os 2500 m2, com dois pisos, um dos quais destinado à venda ao público (à cota da malha urbana) e o outro destinado a armazenagem e estacionamento”.

As intervenções previstas no plano permitirão ainda uma reestruturação do tráfego na área e o aumento da acessibilidade resultante da conclusão da ligação a Sul da A4, através da conexão com a passagem superior existente e com a Via estruturante da Granja.

Fernanda Alves