Projectos de Saúde Escolar vão trabalhar a fala e a postura de alunos e professores

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Em tempo de contenção, a Câmara Municipal da Maia continua a apostar nos projectos de saúde escolar, que no último ano lectivo abrangeram cerca de 7500 alunos do pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico da rede pública. Para o presente ano lectivo a aposta do município passa pela promoção de “novos estilos de vida, activos e saudáveis”.

“Numa fase de contenção, em que o Governo está preocupado com os orçamentos, desta forma, estamos a contribuir para que o Serviço Nacional de Saúde tenha menos despesa no futuro. Contribuímos cada vez mais para a construção de um ser humano mais saudável”, sublinhou o vereador da Educação, Nogueira dos Santos. Declarações proferidas, esta terça-feira, na cerimónia de assinatura dos projectos de saúde escolar com os agrupamentos de escolas, Santa Casa da Misericórdia da Maia e restantes entidades parceiras.
A alargar o leque de intervenção social, junto das crianças e dos professores, estão dois novos projectos: Terapia da Fala – Maia Fala Melhor e Higiene Postural – Na Maia, Melhor Postura, Mais Saúde. Vão ter como parceiro o grupo Esfera Saúde.

O arranque do trabalho no terreno está previsto para o início de Dezembro, em todos os infantários da Santa Casa da Misericórdia da Maia e escolas do Agrupamento Vertical de Gueifães. Juntam-se aos projectos de educação alimentar “O Pequeno Grande Almoço” e “A Minha Lancheira”; higiene oral “Maia a Sorrir” e “RinaMaia”; prevenção solar “Com o Sol no Coração Vamos Ter Precaução”; e segurança alimentar “De Pequenino se Torce o Pepino”.

Relativamente aos dois novos projectos, o grupo Esfera Saúde vê alargada a sua intervenção. Já era parceiro no projecto de saúde oral. E agora irá intervir nos projectos “Maia Fala Melhor” e “Na Maia, Melhor Postura, Mais Saúde”. Irá abranger crianças e docentes, e surge pela necessidade de corrigir dois problemas comuns nestes dois grupos. No que se refere ao “Maia Fala Melhor”, será feita uma triagem de forma a identificar possíveis patologias, seguida de avaliação e respectivo reencaminhamento. Junto dos docentes será trabalhada a voz, “um bem essencial” nesta profissão. “Vamos realizar rastreios a todos os professores, de forma a poder orientá-los e sensibilizá-los para cuidarem do seu bem mais precioso”, explicou Márcia Campos, directora de marketing da Esfera Saúde.

No caso do projecto “Na Maia, Melhor Postura, Mais Saúde”, o objectivo será “educar, sensibilizar e consciencializar as crianças para que elas tenham uma melhor postura, que transportem melhor a mochila, e que seja a mais adequada para transportar”, explicou a representante da Esfera Saúde.
“Crianças a falar melhor, com menos problemas, porque um problema de fala pode virar um problema psicológico ou um problema social. E crianças com uma melhor postura, no futuro adultos mais saudáveis”, são os objectivos finais dos dois projectos.

RinaMaia

O projecto de saúde oral abrangeu as escolas dos agrupamentos Gonçalo Mendes da Maia e Dr. José Vieira de Carvalho. E no que se refere ao número de crianças livres de cáries, as percentagens estão acima dos indicadores da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em ambos os agrupamentos, 69 por cento das crianças não apresentaram qualquer sinal de cárie, um valor que está quatro por cento acima das recomendações da OMS para 2010.
A prevenção é, por isso, cada vez mais importante em idades precoces. “Há que continuar a investir cada vez mais cedo na prevenção”, sublinhou Estela Castro do ISAVE – Instituto Superior de Saúde do Vale do Ave. Os rastreios são feitos nas escolas, e posteriormente, as crianças mais carenciadas são encaminhadas para a clínica do ISAVE.

Maia a Sorrir

O projecto abrangeu as escolas dos agrupamentos de escolas de Levante, Pedrouços, Águas Santas, Castelo, Gueifães e infantários da Misericórdia da Maia. Tem como entidades parceiras o CESPU – Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário e o grupo Esfera Saúde. Apostando numa política de auto-responsabilização dos educadores e das crianças, no último ano lectivo o CESPU trabalhou com cerca de 12 mil alunos, promovendo práticas e técnicas para uma melhor saúde oral. “Para nós não é importante que as crianças comam ou não comam chocolates ou gomas. Actuamos mais ao nível da auto-responsabilização, mostrando à criança que pode comer isso em alturas específicas. Deve fazê-lo em casa, em alturas específicas e de seguida fazer a escovagem dentária”, explicou Paulo Rompante do CESPU.

Pequeno Grande Almoço

O projecto teve como parceiros a Câmara da Maia, Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação do Porto e ACES – Grande Porto IV. Teve como objectivo a promoção de escolhas saudáveis naquela que é considerada a refeição mais importante do dia. Os resultados têm sido “animadores”, de acordo com Gisela Morais. Do trabalho até agora realizado, conclui-se que a maioria das crianças toma o pequeno-almoço antes de ir para a escola, e que são cada vez mais as que fazem escolhas saudáveis. De 58 por cento, no início do projecto, passou para 68 por cento, no último ano lectivo, as crianças que passaram a optar por alimentos mais saudáveis. Passaram a substituir, por exemplo, bolos e batatas fritas por alimentos mais ricos em nutrientes, como a bolacha Maria, os iogurtes e a fruta. Registou-se ainda um crescimento de cerca de dois por cento no número de crianças que fazem aquela refeição.

De Pequenino se Torce o Pepino

O projecto de segurança alimentar teve como entidade parceira a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Mais do que comer saudável, é também importante uma alimentação segura, sem contaminações, sem químicos, sem elementos estranhos. E é precisamente esse o objectivo do projecto, através da realização de actividades vocacionadas para a segurança alimentar. Ou seja, “tentar realizar actividades que permitam às crianças interiorizar práticas e perceber o porquê de determinadas atitudes que levam à alimentação segura”, explicou Paula Teixeira. E por outro lado, “utilizar as crianças como veículo de difusão desta informação no meio familiar”. Nestas actividades já estiveram envolvidas mais de 6600 crianças.

A Minha Lancheira

O projecto de educação alimentar, a cargo do Gabinete de Saúde da Câmara da Maia, nasceu da necessidade de complementar o trabalho já realizado com o Pequeno Grande Almoço, e também corrigir alguns erros alimentares no que se refere aos lanches das crianças. Dos estudos realizados, conclui-se que a maioria das crianças traz o lanche, no entanto, três por cento continua a não fazer esta pequena refeição. Um número que apesar de parecer insignificante, preocupa o município, conforme referiu Marta Sampaio do Gabinete de Saúde. Para promover esta refeição, e mais uma vez, a escolha saudável de alimentos, a autarquia distribuiu por todas as crianças uma lancheira térmica “recheada” de informação.

Fernanda Alves