Projectos europeus do Tecmaia chegaram ao fim, com sucesso

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ENTER e PREMIO criam novas oportunidades de negócio

O Parque de Ciência e Tecnologia da Maia (Tecmaia) está já a acolher algumas das empresas que resultaram da participação em dois projectos europeus – ENTER e PREMIO. Em Portugal, os dois projectos foram promovidos pelo Tecmaia, e co-financiados pela Comissão Europeia, através da Agência Executiva para a Educação, Audiovisual e Cultura, no âmbito do programa Aprendizagem ao Longo da Vida. Decorrerem em simultâneo em outros países parceiros.

A entidade promotora em Portugal já anunciou que a iniciativa teve resultados muito positivos. Os projectos foram apresentados e estiveram em análise, em Novembro do ano passado, numa Conferência Internacional que contou com a presença de alguns dos alunos participantes. Posteriormente, e de acordo com a coordenadora dos projectos ENTER e PREMIO, Cláudia Azevedo, houve uma reunião final com todos os países parceiros. A conclusão final é de que ambos foram um “sucesso”.

Ainda no âmbito do ENTER, os planos de negócios apresentados pelos alunos foram desenvolvidos através de um curso online, desenvolvido pelo Tecmaia, e que obrigava a apenas a algumas sessões presenciais. Todos os projectos das entidades promotoras estão disponíveis numa plataforma europeia criada para o efeito. Entre os quais, os trabalhos que resultaram do curso online do Tecmaia que tem motivado o interesse por parte de algumas entidades. De acordo com Cláudia Azevedo, no início deste ano o Tecmaia foi contactado por três entidades – “uma nacional e duas estrangeiras interessadas em reutilizar aquilo que nós críamos online e desenvolver novos projectos”.

ENTER

A segunda edição do projecto ENTER foi lançada em parceria com o Tecmaia, Instituto Superior da Maia e MaiaInova. Teve início a 15 de Outubro, e tinha como objectivo “promover o empreendedorismo, apoiando pessoas com ideias de negócio, mais orientadas para serviços técnicos, e apoiá-las no desenvolvimento do plano de negócios, e na concretização da sua empresa”, explica Cláudia Azevedo. Em cada país houve uma organização local do curso, que tinha cerca de 15 alunos. “Houve uns que foram até ao final do curso e concluíram-no com um plano de negócios. Desses planos de negócios escolhemos os melhores para serem apoiados por um mentor individual, e demos-lhes condições de incubação no Tecmaia”, explica a coordenadora. Deste lote, foram concretizadas duas empresas. Uma delas está ligada à área social (apoio à terceira idade) e a outra ao comércio.

Os que não conseguiram implementar os seus planos de negócio ou que ainda não tinham uma ideia bem definida quanto ao que queriam criar, “pelo menos ficaram mais sensibilizados para o empreendedorismo, para as competências de um empreendedor – porque ser empreendedor não significa criar uma empresa, podemos ser empreendedores nas atitudes do nosso dia-a-dia, e aprenderam a construir um plano de negócios que lhes pode ser útil no futuro”, sublinha Cláudia Azevedo.

Para além do comércio e serviços, os projectos apresentados abrangiam áreas de negócio ligadas às novas tecnologias.

Competição Internacional PREMIO

O PREMIO – Promoção do Empreendedorismo e Inovação tinha como objectivo dar visibilidade e apoio às ideias de negócio desenvolvidas por alunos, professores e investigadores de vários instituições de ensino.

A iniciativa permitiu, entre outras medidas, aumentar a interacção entre os formandos e mentores do vários países, ao mesmo tempo que foram abordadas e discutidas temáticas de interesse actual e que se encontram na agenda da Europa. Os países parceiros nesta competição foram Portugal, Grécia, Roménia e Estónia.

Estava dividida em quatro categorias: Responsabilidade social e ambiental, Grau de independência do contexto sócio-económico, Inovação e Globalização.

Aos participantes foi pedido uma breve apresentação sobre os seus projectos, justificando em que medida se enquadravam em cada uma das temáticas indicadas. As apresentações tiveram lugar em sessões síncronas virtuais, que decorreram entre 5 e 10 de Junho de 2009. Aos vencedores foi oferecido como prémio a estadia paga por uma semana num dos quatro países parceiros, com uma agenda pré-definida de visitas aos Parques de Ciência e Tecnologia e a empresas relacionadas com as áreas de actividade dos visitantes.

Os vencedores foram: Hélder Fernandes (ViGie Solutions – PT), Viktor Laaurma (KVM – EE), Daniel Amariei (RO Arm – RO) e Vaios Bakirtzoglou (Cretan BioFuels – GR). O vencedor português visitou o parque tecnológico e científico de Creta, na Grécia.

O projecto de Hélder Fernandes está agora em incubação no Parque de Ciência e Tecnologia da Maia. E de acordo com o jovem empresário, as expectativas já foram ultrapassadas. Para além da ViGie Solutions, em Portugal, foi ainda criada mais uma empresa através do PREMIO, ligada ao desenvolvimento de “web sites”.

ViGie Solutions

Hélder Fernandes formou-se em Engenharia Electrónica. É um dos seis elementos que participou no projecto vencedor do PREMIO em Portugal, e que deu origem à ViGie Solutions. Todos têm formação em engenharia. Antes da participação no curso, nenhum deles tinha qualquer experiência na área de negócios. Por isso, considera que a participação no PREMIO permitiu-lhes adquirir os conhecimentos necessários para realizar um “plano de negócios, um plano de marketing, estudos de mercado. Todas essas formalidades que são necessárias para a criação de uma empresa”. Depois, “pelo facto de termos obtido um excelente resultado na apresentação do plano de negócios, ofereceram-nos condições preferenciais para nos instalarmos no Tecmaia”, acrescenta.

É aqui que a ViGie Solutions está instalada, desde Julho do ano passado.

A empresa actua na área da Vigilância e Gestão de Instalações e Equipamentos (ViGie). “Consiste no desenvolvimento de soluções de monitorização em tempo real para o mercado da saúde. Nomeadamente, blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos, serviços farmacêuticos. E também para a indústria alimentar – monitorização de temperaturas e humidades em linhas de produção de alimentos, armazenamento, transporte e comercialização final”, explica o responsável, Hélder Fernandes.

A aposta na criação deste tipo de serviço resulta das necessidades que Hélder Fernandes identificou durante o tempo em que trabalhou na área da saúde, precisamente a fazer o trabalho de monitorização, mas de forma manual. “Achei que havia a possibilidade de, utilizando as tecnologias que temos disponíveis actualmente, criar soluções de monitorização que fiquem permanentemente nas instalações do cliente, com capacidade de enviar alarmes, em caso de desvio das condições ideais, e também com a capacidade de gerar automaticamente relatórios sobre as condições das instalações dos clientes”, explica.

Na área da alimentação, sentiu que existia a necessidade de uma maior monitorização da temperatura e humidade dos alimentos, desde a sua produção até à sua comercialização.

Pouco mais de seis meses depois do arranque da ViGie Solutions, Hélder Fernandes diz que o negócio “está a correr lindamente”. Em poucos meses e ao contrário do que esperavam, já conseguiram desenvolver uma solução protótipo para monitorização de temperatura e humidade. “Já está pronto. Estamos neste momento na fase de comercialização e primeiras abordagens ao mercado, que têm sido muito positivas”, adianta o responsável da ViGie Solutions.

Fernanda Alves