Pronta a Residência Sénior de O Amanhã da Criança

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O Amanhã da Criança vai inaugurar residência sénior
imagem de arquivo (Angélica Santos)
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Depois das férias, em setembro, a associação O Amanhã da Criança vai inaugurar a nova Residência Sénior, um novo equipamento do complexo de apoio social da instituição, em Pedrouços, composto por quatro edifícios. Está tudo pronto, garante José Manuel Correia, o presidente da direção de O Amanhã da Criança, que explica que este é um “grande investimento na ordem dos três milhões de euros”. Cerca de metade, um milhão e 450 mil, deverão vir do POPH, o financiamento comunitário. Outra parte da câmara municipal e o restante de verbas próprias da associação, através de financiamento.

Para ter alguma garantia de receitas, a associação irá contemplar dois regimes de admissão: um privado e outro de proteção social. “As condições, as instalações, as atenções dos funcionários serão todas rigorosamente iguais, mas as condições de acesso serão diferentes, porque precisaremos de angariar alguma receita para poder honrar os nossos compromissos, não há milagres!”, afirma José Manuel Correia, presidente da direção.

O dirigente adianta que o novo equipamento será “uma autêntica casa onde os idosos se sintam bem, porque é isso que merecem”, sublinha, “uma grande parte destas pessoas que vai alojar-se na Residência viveu uma vida com muitas dificuldades e têm agora esse direito, acho que o país tem o dever de lhes proporcionar o resto dos seus dias com dignidade. É o que vamos fazer”.

Uma casa acolhedora

Quem tem possibilidades e posses para pagar na totalidade deverá fazê-lo, mas quem não tem poder económico suficiente também terá acesso à qualidade da Residência, através do regime de proteção social, que garante uma comparticipação do Estado a juntar à participação do utente.

O presidente da direção explica que os futuros 60 seniores que ocuparão o novo equipamento, que incluirá 10 lugares para cuidados continuados, terão os cuidados de uma equipa de pessoal que lhes possa dar toda a atenção e cuidados condignos, ao contrário de alguns lares – “conheço um próximo”, frisou José Manuel Correia – que apenas dispõe de um cuidador para 28 utentes debilitados, o que é “inconcebível”.

“Na nova Residência queremos ter pessoal mais que suficiente para que as pessoas que se encontrem bem dentro da liberdade, de acordo com a mobilidade de cada um, tenham ainda apoio psicológico e médico, enfim, todas as valências de que a instituição já dispõe. Evidentemente que quando tivermos o novo hospital, as pessoas nem precisarão de se deslocarem ao Hospital de S. João, pois poderemos fazer tudo aqui no complexo da associação”, afirmou o presidente e “fundador resistente” de O Amanhã da Criança.

Novo hospital começa a ser construído em breve

A vontade de Correia é começar a construir ainda este ano o novo equipamento do complexo social desta instituição, que vai crescer ainda mais com um quinto edificado, o Hospital. “Estamos à espera da regulamentação da próxima fase do quadro comunitário de apoio, embora ainda tenha dúvidas”, referiu. A única certeza é que “mesmo sem o quadro comunitário, o hospital vai construir-se, pelo menos enquanto eu cá estiver”.

José Manuel Correia

A nova unidade de saúde terá 50 camas para internamento, bloco operatório e todas as especialidades inerentes a uma estrutura moderna e eficiente. “Não faltará nada”, assegura o presidente da associação O Amanhã da Criança, que quer concluir um “importante complexo social para a comunidade, como dizia Vieira de Carvalho, do melhor do país e, quiçá, da Europa”.
De resto, esta era uma das suas ambições pessoais, frisou, “é a obra que sonho concretizar nesta terra desde os meus 14 anos”.

Continuidade das políticas é importante

José Manuel Correia considera que esta evolução e coerência na desenvolvimento do projeto da instituição deve-se à “continuidade das políticas”. Sendo a favor da democracia, refere o presidente, “o facto de se andar sempre a mudar de direções, não dá a devida continuidade dos projetos e do desenvolvimento das instituições.

Por outro lado, é preciso haver muita persistência junto do Estado e das autarquias locais, com um à-vontade de quem não lhes deve nada, pois penso que não devemos mendigar o que quer que seja. A obrigação é deles e não minha. Falo normalmente com todos os políticos e apresento os projetos e necessidades, caso tenham interesse em apoiar, a situação segue normalmente, caso contrário, não ando a mendigar, não tenho paciência para isso”, afirmou.

Privados na saúde têm visão

Questionado sobre a viabilidade de mais um investimento privado na saúde, José Manuel Correia afirmou que “ainda nenhum responsável político percebeu que, mais tarde ou mais cedo, o Serviço Nacional de Saúde vai entrar em falência. Por isso é que têm surgido vários investimentos privados, porque esses gestores privados já alcançaram o que vai acontecer”.
E adianta que “com a esperança de vida a aumentar e com a nova terapêutica a ficar mais cara, tendo quase zero de comparticipação do utente, o SNS não tem hipótese de se aguentar. O sistema privado vai ser a alternativa para muita gente. É certo que prevejo que, daqui a uns anos, vai haver saúde para ricos e saúde para pobres. Ora, eu quero ver se tenho, aqui, saúde para os dois…”

Um projeto que se desenha há 40 anos

O Amanhã da Criança está, “paulatinamente, a consolidar o projeto e a estratégia que tínhamos há cerca de 40 anos”. A associação presta apoio às crianças a partir dos quatro meses de idade, com creche, berçário e Jardim Escola. Tem aberto ainda o CATL (Centro de Atividades de Tempos Livres) e o Centro de Estudos.

No que respeita à terceira idade, existe o serviço de apoio domiciliário, o Centro de Dia e, a partir de setembro, a Residência Sénior. Além de toda esta estrutura, há 240 jovens a praticar desporto em diversas modalidades, tendo o xadrez subido à 1ª Divisão.

A instituição tem sede em Pedrouços, mas presta apoio social ainda à população de Águas Santas, bem como a algumas áreas dos concelhos limítrofes de Rio Tinto e de Ermesinde.

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