QSP SUMMIT 2015 em revista na Praça da Liberdade da Rádio 5

0
373
- Publicidade -

Tal como tinha prometido aos nossos leitores, acompanhei os melhores momentos desta conferência de nível internacional que trouxe ao Porto, alguns dos mais notáveis protagonistas da Ciência e da Vida. Vida que uns entendem ser uma Arte, e outros preferem situá-la, cada vez mais, no âmbito da Ciência. Pelo que vi e ouvi neste evento, inclino-me para um compromisso saudável entre Ciência e Arte.

Michio Kaku

A sessão inaugural da QSP Summit, foi protagonizada pelo Físico Michio Kaku, um comunicador de excelência, que se tem revelado um dos mais proeminentes divulgadores de Ciência. Doutorado em Física pela Universidade da Califórnia, professor da City University of New York, Michio Kaku é autor de vários livros como Mundos Paralelos ou mais recentemente o Futuro da Mente, além de artigos sobre a teoria das cordas.

Nesta conferência, Kaku abordou os temas do Consumidor do Futuro e o Futuro da Mente, convocando para a sua visão espectral sobre o Mundo de hoje, sempre focada no futuro, um vasto leque de disciplinas científicas e actividades humanas, questionando-se e questionando-nos sobre o rumo que o Planeta está a tomar.

Victor Dias & Michio Kaku
Michio Kaku na entrevista a Victor Dias, da Rádio 5

Kaku parte de realidades concretas que já não são apenas domínio da ficção científica, para projectar as consequências da sua utilização, seja num futuro a curto prazo, ou numa miragem que nos pode surpreender a qualquer momento.

Kaku afirmou que estaremos porventura na antecâmara da descoberta dos mecanismos científicos que nos poderão levar, quiçá antes do que esperamos, à era da telepatia e do teletransporte da matéria. Confesso-me um tanto céptico quanto à probabilidade destas premonições se poderem vir a realizar, mas também me declaro fascinado por essa possibilidade, esperando poder vir a dar a mão à palmatória.

Entrevista exclusiva para a Rádio 5

Numa rara concessão, Michio Kaku, por intervenção directa de Duarte Araújo e Luís Alves, editor da Bizâncio, que publica em Portugal os seus livros, acedeu a falar para o gravador da Rádio 5.

Das várias questões que colocamos ao Físico norte-americano com naturalidade japonesa, seleccionamos apenas duas, que nos parecem ser as mais interessantes.

Perguntamos a Michio Kaku, que futuro preconizava para a Arte?

– “Vai longe o tempo em que o Homem pintava na pedra, na era da Arte Rupestre. Hoje a Arte adquiriu formas de expressão virtuais que abrem aos artistas uma imensidão de possibilidades que podem partilhar com os seus públicos. Deste modo, o paradigma da criação estética encontra-se em pleno processo de evolução, permitindo inclusive ao público, ser ele próprio, um agente interactivo e proactivo do processo criativo da Arte. Isto é extraordinário e fascinante, mas também levanta novos problemas e novos desafios, que requerem dos artistas, maior engenho e imaginação criativa. Assim sendo, o futuro da Arte será sempre uma incógnita, o que não deixa de ser igualmente fascinante…”.

QSP SUMMIT 2015

Por fim, e face a algumas ideias quase premonitórias, perguntamos-lhe como seria possível conciliar um mundo novo que a Ciência prometia à Humanidade, diante a ameaça concreta do estado islâmico?

– “Bem, essa pergunta requer uma resposta mais complexa. Estou convencido que a resposta radica precisamente na Democracia. É claro que o problema das democracias actuais é que são mais lentas nas respostas às ameaças que as colocam em causa. Em Democracia é preciso escrutinar e validar as decisões e as reacções políticas, diplomáticas ou militares, articulando-as com a conjugação de forças e interesses geoestratégicos, e isso requer um tempo, que os protagonistas dessas ameaças não precisam. Considero que a resposta é de facto Democracia, embora compreenda que a Democracia no futuro terá de se agilizar e adaptar às ameaças que pairam contra si próprias, enquanto expressão da civilização…”.

Ao longo do dia, decorreram outros workshops em que o perfil do consumidor do futuro foi abordado por especialistas na análise e estudos do comportamento humano e por pessoas que exercem altos cargos em corporações internacionais que lhes conferem um “know how” de alto perfil, para que a sua visão sobre o assunto conte, e conte muito.

Foi o caso do “big boss” da Amazon, da Google e de outras marcas de grande prestígio global.

Uma das intervenções que mereceu igualmente muito apreço por parte dos participantes foi a de Natalie Berg e Joerg Niessing, professora afiliada de marketing no INSEAD, considerada uma das maiores especialistas do mundo no setor do retalho, que abordou o futuro das marcas, num evento que apresentou estudos de caso.

As cidades do futuro foram também objecto do foco desta conferência internacional de alto nível.

O QSP Summit contou também com o investigador da Fundação Champalimaud, Rui Costa, o investigador da Universidade do Minho, Nuno Miguel Peres, e o psiquiatra do Hospital da Universidade de Coimbra, José Luís Pio Abreu, que debateram temas do consumidor.

De acordo com a informação que nos foi pessoalmente transmitida por Rui Ribeiro, CEO da QSP, este encontro reuniu mais de 1.000 profissionais, esgotando completamente a lotação, numa edição que superou largamente as expectativas.

O futuro da saúde

Já no fim do dia, tive o prazer de assistir a um “workshop” com a presença do Professor Johannessen, moderado por Duarte Araújo e que contou igualmente com a participação do Professor Manuel Sobrinho Simões, Director do IPATIMUP, no qual foi traçado um quadro muito elucidativo sobre o futuro da saúde, quer nos países desenvolvidos, como nos países em vias disso, ou nos países do chamado terceiro Mundo.

O Professor norueguês de Medicina, uma autoridade mundial na matéria do tratamento de doenças oncológicas, abordou a problemática do financiamento da saúde, falando abertamente das difíceis decisões que os médicos são obrigados a tomar, diante o dilema dos elevados custos de certas terapêuticas, face à sua relativa eficácia curativa ou paliativa.

QSP SUMMIT 2015

O desejo de imortalidade que sempre acompanhou o Homem, desde o princípio dos tempos, e a precariedade da sua saúde, permanentemente ameaçada, quer pelos maus hábitos adquiridos, como pela acção perniciosa da poluição e de outros agentes agressivos para a saúde humana, foi também tema de debate.

A Rádio 5 solicitou ao Professor Sobrinho Simões que fizesse para os nossos ouvintes uma resenha deste workshop, exercício que iremos transmitir na íntegra na edição especial do programa Praça da Liberdade que vai para o ar no próximo sábado, entre as 13 e as 14 horas, com uma reportagem alargada sobre o evento e uma revisão comentada dos principais temas.

Victor Dias

- Publicidade -