Quinto "bailarico" do clube Maia Sénior

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A Danceteria "O Outro Lado", na zona industrial da Maia, estava a ser pequena para acolher os muitos idosos que chegavam para o "bailarico". Mas mesmo assim, as camionetas continuavam a estacionar perto do recinto escolhido para albergar a quinta edição da "Festa Dançante Sénior". Iniciativa que mudou para "outro lado", já que o ano passado o espaço era outro, a "Bolero".

Os primeiros idosos a chegar apoderaram-se rapidamente dos lugares sentados, mas mesmo assim, e à semelhança de outros estabelecimentos de diversão frequentados por pessoas de faixas etárias mais baixas, houve relutância ao acto de "abrir a pista". A música de baile subia de volume, ainda sem a banda em palco, mas os mais idosos do concelho não deixavam que a timidez fosse embora. Os mais corajosos começavam a invadir a pista de dança, colorida pela bola de espelhos. Um par aqui, outro ali, não tardou muito para que o "dancefloor" maiato estivesse completamente repleto. Homens com homens, mulheres com mulheres e, lá está, mulheres com homens. Valia tudo, desde que o passo fosse certo. "Se Deus quiser vai ser a tarde toda a dançar", confessava Palmira Cruz, uma das idosas do clube Maia Sénior, enquanto ensaiava passos de baile com a amiga Elvira, que também não esteve com meias medidas: "Estou a adorar, eu gosto mesmo disto", exclamou.

Uns dançavam melhor, outros pior. José Manuel conduzia a esposa pela pista de dança e nada o parava. Passos de dança precisos e afinados. "Já são muitos anos disto", dizia o dançarino que bem podia passar por profissional, apesar da idade já não perdoar e não permitir grandes "voos". "Desde novo que faço isto", acrescentou José Manuel. A esposa limitava-se a sorrir e a acompanhar o marido, que não parou de dançar nem por um momento.

Um pouco mais à frente, de novo Palmira Cruz. Desta vez não a dançar, mas com uma reclamação. A sénior apoiou a iniciativa, mas lamentou que nos restantes dias fosse difícil chegar às danceterias que existem na Zona Industrial. "Mesmo que a gente queira vir não pode", desabafou Palmira Cruz. Logo ao lado, Matilde estava sentado num dos sofás da danceteria. Ao porquê de estar sentada, a resposta foi imediata: "Não tenho par!", desabafou a idosa, embora tivesse "muita vontade" de dar um pezinho de dança acompanhada. Matilde permaneceu sentada, mas o baile ainda estava a começar. Terminou quando eram 17h30.

E quem não foi ao bailarico na passada terça-feira, que não desespere. A danceteria "O Outro Lado" abre as portas ao clube Maia Sénior outra vez, já na próxima terça-feira.