Refood Maia serve 1000 refeições por mês

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Refood Maia
imagem de arquivo
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Com menos de dois meses de funcionamento, o Refood Maia consegue funcionar sete dias por semana, graças aos donativos da restauração e à equipa de voluntários. As cerca de 150 pessoas que colaboram com este núcleo comprometem-se a “dar duas horas do seu tempo por semana e asseguram as duas recolhas por dia pelos restaurantes, o trabalho no Centro de Operações, quer no reacondicionamento quer na distribuição pelos cerca de 35 beneficiários, mais de 10 famílias”. Contas feitas, o Refood Maia já serve 1000 refeições por mês.

O núcleo Refood da Maia, um projeto de reaproveitamento de excedentes de estabelecimentos da restauração, inaugurou o Centro de Operações a 14 de fevereiro e, no dia seguinte, partiu para o trabalho “no terreno” com 120 voluntários motivados e devidamente formados.  O projeto arrancou com recolhas diárias das 18h00 às 24h00, no dia 15 de fevereiro. No dia 16, realizaram-se as primeiras distribuições aos beneficiários.

Apesar de já estar criado como núcleo há um ano, houve todo um processo de preparação das instalações do Centro de Operações, situado na Rua Ponte das Cabras, que foi necessário implementar, além da formação dos voluntários, que já são mais de 150, disse-nos um orgulhoso Ângelo Soares, fundador do núcleo Maia Centro.

Durante este ano de trabalho também houve que preparar parcerias. Em primeiro lugar, com a câmara municipal, que cedeu o espaço para o Centro de Operações, e depois com diversas empresas e entidade, como, por exemplo, as juntas de freguesia, Cooperativa Agrícola, Associação Empresarial, Casa do Povo de Vermoim, Cruz Vermelha, Santa Casa da Misericórdia, Os Vicentinos, e ainda com as empresas de restauração para fornecerem os excedentes alimentares.

Como funciona o Refood

Ângelo Soares explica que “é um movimento 100% voluntário, efetuado por cidadãos e dentro da comunidade local, em que se procura acabar com o desperdício de alimentos confecionados”. Sujeitos a regras rigorosas, os restaurantes não podem guardar os alimentos de um dia para o outro, iriam para o lixo. “Nós resgatámo-los e redistribuímo-los por famílias que precisam. Fazemos a ponte entre quem confeciona os alimentos e quem precisa deles, garantindo que os recebemos e que os entregamos em boas condições. Como só no final do dia, os restaurantes têm excedentes para entregar, e não podendo fazer a distribuição pelos beneficiários de imediato, temos que armazenar a comida em frigoríficos para a entregar no dia seguinte. Neste espaço podemos receber com todas as condições de higiene e segurança os alimentos, recondicionar e distribuir pelas pessoas”.

Circuito da Refood

A adesão das empresas de restauração foi muito importante, havendo um núcleo inicial de 25 aderentes, o que Ângelo Soares considera ser muito positivo para um núcleo que está a dar os primeiros passos.

Bolsa de voluntários

A bolsa de voluntários também excedeu as expetativas. Além dos 150 já formados em Voluntariado, no sistema do movimento Refood e em Higiene e Segurança Alimentar, já há o dobro dos inscritos, que irão formar-se, gradualmente, integrados nas escalas de trabalho. É que todos os braços fazem falta, explica Ângelo Soares, “precisamos de 14 pessoas por dia, vezes 7 dias, dá um total de 98 voluntários em escala”. De resto, as escalas de voluntários são feitas com “todo o cuidado, para não sobrecarregar sempre os mesmos, tendo ainda em atenção os contratempos que podem originar faltas ou pessoas que trabalham por turnos e não podem integrar a escala num dia certo da semana. Temos voluntários suficientes e nem todos têm que trabalhar todas as semanas”.

Quanto aos beneficiários, o Refood Maia aceita inscrições diretas e através do GAIL – Grupo de Apoio Integrado Local da Câmara Municipal. De acordo com este fundador do núcleo, cujo movimento já conta com 27 núcleos em todo o país desde 2011, “a ideia não é sobrepôr apoios, mas ajudar quem verdadeiramente precisa, por isso, cruzamos dados com o GAIL, que têm as famílias carenciadas sinalizadas”.

Este é o segundo núcleo no Grande Porto depois do que existe na Foz do Douro. E os fundadores contaram com apoios em donativos ou em equipamentos de particulares e de empresas, o que leva Ângelo Soares a admitir que “foi preciso pouco dinheiro para equipar o Centro de Operações”. Uma  das ofertas foi da Maia Ambiente, por via da receita angariada pelos roupeiros (roupa para reciclar), que, no final do ano passado, foi atribuída ao Refood, “a maior receita que tivemos até agora, 3 mil euros”, referiu. Houve ainda iniciativas de outras entidades que ajudaram a recolher fundos ou produtos, como o infantário Os Monfortinhos ou a equipa de futebol americano Mustang. “Felizmente temos tido uma resposta muito interessante da comunidade”, frisou Ângelo Soares.

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