Rocha Nunes pode deixar presidência dos Bombeiros de Moreira

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Em Dezembro, há eleições para a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moreira da Maia. E poderá haver mudanças nas caras que a compõem. Rocha Nunes, que assumiu a presidência na sequência do falecimento de António Freitas, em Maio do ano passado, não decidiu ainda se avança com uma candidatura. Mas já ouviu falar de uma lista que estará a ser preparada.

Desde finais da década de 60 que Rocha Nunes está ligado aos Bombeiros de Moreira. Já foi vogal e vice-presidente. No mandato que termina no final deste ano, era de novo vice-presidente, mas a cerca de um ano e meio das eleições assumiu o cargo de presidente, sucedendo a António Freitas. Desde essa altura, tem passado ainda mais tempo no quartel. Além do mais, acrescenta, são cargos que “só nos dão despesa e muitas preocupações”. Por isso, quando questionado sobre uma candidatura à direcção, respondeu apenas: “Estou mais para não do que para sim”. Até porque os cortes nas transferências e / ou apoios do Estado têm vindo a limitar o trabalho e as receitas dos bombeiros.

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Mais dificuldades são esperadas na sequência da distinção entre doente e utente, criada pelo actual Governo, para definir os beneficiários do apoio da Administração Regional de Saúde, sempre que o centro de saúde passe a credencial para o serviço clínico em causa. Mesmo concordando que “só se pague a quem precisa mesmo”, o presidente chama a atenção para “aqueles que estão doentes, mas que ainda não estão em tratamento e precisam deslocar-se ao centro de saúde ao hospital, não têm direito”. E, em muitos casos, também não têm possibilidades financeiras para pagar por esse serviço.

Ainda que a situação financeira da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Moreira não esteja tão grave como a de outras corporações, recentemente tornadas públicas, o certo é que o transporte de doentes é uma das principais fontes de receita da instituição, com “dez viaturas, diariamente, na rua”, sublinha Rocha Nunes. Logo, temendo quebras.

Se assim for, mais dificuldades poderá enfrentar a direcção a eleger em Dezembro. Mas há algo mais que quem ocupa o cargo dirigente tem que gerir: o tempo. E quem tem perdido com a dedicação à instituição tem sido a família, por entender Rocha Nunes que a presença no quartel “é importante”.

Marta Costa