Saberes de Misericórdia refletem-se na comunidade

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Desafios a encarar quando se fala em educação, empreendedorismo ou qualidade de vida no envelhecimento foram amplamente debatidos no seminário “Diálogos de Vida – saberes de Misericórdia”, promovido pela Santa Casa da Maia. No passado dia 12, o grande auditório do Fórum da Maia ficou preenchido para este debate entre diversos profissionais, a par de testemunhos nas diversas áreas em análise dando conta de como várias pessoas foram tocadas pelos saberes de Misericórdia.

No painel sobre educação que ocupou a manhã, moderado por Luís Rothes, do Conselho Consultivo da APEFA – Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos, as intervenções lançaram algumas ideias para reflexão e pistas de caminhos a seguir.
Isabel Batista, professora associada na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica, salientou o lado humanista da educação sob a alçada de instituições como a Misericórdia em que existe a “lógica de dar prioridade ao outro”.

Desafio de qualificação dos serviços de Creche

Já Sara Barros Araújo, professora adjunta na Escola Superior de Educação do Porto, teve uma intervenção mais focada no desafio da qualificação dos serviços de creche. A importância da qualificação tem a ver não só com a garantia de direitos, mas também do ponto de vista da equidade e salvaguarda dos direitos das crianças, ainda dos professores e das famílias. É que, numa altura em que as mães e avós trabalham, torna-se necessário um lugar de guarda das crianças, mas, frisou Sara Araújo, “as creches têm que ser muitos mais que a guarda, têm que garantir a capacitação da criança”.

Mais atenção ao pré-escolar

Mário Rui Lourenço, psicólogo no agrupamento de Pedrouços, defendeu que o desafio da qualidade passa por desmistificar este sistema de mega agrupamentos escolares. E deu conta de um projeto que implementou em 2006 de avaliação das crianças no último ano do pré-escolar, criando programas de estimulação a tempo de as crianças ultrapassarem eventuais problemas de aprendizagem antes de entrarem no 1º ciclo. Há uma década em funcionamento, de acordo com Mário Rui, o programa “está a dar os seus frutos” e assiste-se a um “sucesso sustentado”, verificando-se que os “resultados no 8º ano de escolaridade são bem melhores”.

Na sessão de abertura deste seminário, a provedora da Misericórdia agradeceu a adesão de muitos profissionais e deixou a palavra de gratidão ainda para a Câmara Municipal, cuja “disponibilidade tem sido muito importante para apoiar o trabalho que a Santa Casa realiza no dia a dia, em prol da comunidade”.

Misericórdia tem sido “olhos e ouvidos” da Câmara na Maia

O vice-presidente da Câmara Municipal também se dirigiu à plateia e referiu que a Câmara Municipal “tem sido uma instituição que tem demonstrado essa sabedoria de misericórdia”, até porque, “desde a génese da Santa Casa da Maia que o município encara esta instituição como um dos parceiros sociais mais importantes para a prossecução dos objetivos estratégicos de desenvolvimento humano e social da comunidade concelhia”.

António Tiago frisou que “as relações institucionais da Câmara e da Misericórdia da Maia alicerçam-se na centralidade da pessoa humana”. O autarca sublinhou que sendo os recursos públicos “finitos”, não podendo o Estado, “em particular a administração local, estar em tudo e em todo o lado”, o certo é que, “com o precioso auxílio da Santa Casa temos conseguido estar em mais lados, em mais circunstâncias e, porventura, com mais eficácia e melhores resultados sociais”.

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