Santa Misericórdia da Maia com projeto na área da saúde

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Santa Casa da Misericórdia da Maia
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Fundada em 1954, a Santa Casa da Misericórdia da Maia é uma das instituições do género mais jovens do país. Com serviços e equipamentos apenas na área social, a instituição prepara-se para, em breve, estender o seu braço assistencial à área da saúde com uma unidade de doenças neurodegenerativas / demências, em Águas Santas.

Maria de Lurdes Maia vive familiarizada com a missão da instituição desde que nasceu, ou não fosse filha do único fundador ainda vivo da Misericórdia. Como Provedora da Santa Casa desde o início do século, Maria de Lurdes Maia salienta a dinâmica de uma instituição que luta no dia a dia para sustentar no terreno o apoio social desde a infância à terceira idade.

Com uma estrutura de perto de 400 funcionários, a Santa Casa da Misericórdia da Maia possui valências e respostas sociais nas dez freguesias do concelho, o que se traduz numa maior e profícua proximidade das populações, permitindo respostas mais rápidas a quem precisa de forma eficaz.

Há uns meses realizou uma candidatura, que foi aprovada, para uma Unidade de Cuidados Continuados. Com a mudança de governo, viu os montantes de financiamento garantido serem reduzidos, tendo a Mesa preferido não arriscar num endividamento à banca de elevada monta. Assim, o projeto ficou na gaveta.

Já existe projeto para unidade na área da saúde

Mas a Misericórdia não desiste e pretende avançar em breve com um novo projeto na área da saúde, o que poderá ser uma nova fonte de receitas para a instituição. Trata-se de uma unidade especializada em doenças neurodegenerativas/demências voltada para a terceira idade. Já existe espaço para este equipamento, pois a autarquia liderada por Bragança Fernandes doou a Casa do Lage, em Águas Santas, precisamente a casa do antigo sócio fundador da Misericórdia, Rodrigo Costa Lage.

Além do terreno, que inclui um velho palacete, a câmara também cedeu o projeto, da autoria da arquiteta Susana Carvalho. E a Mesa da Santa Casa tem agendada uma reunião com técnicos da Segurança Social do Porto para analisar a adequação do projeto à legislação em vigor. “É o grande desafio que temos pela frente e creio que está a correr bem”, referiu Maria de Lurdes Maia, que ainda não tem um orçamento para este equipamento.

O projeto prevê o apoio domiciliário especializado a este tipo de doentes, um lar, um centro de dia e uma residência temporária. A nova unidade deverá “marcar a diferença na assistência a este tipo de doentes, que é rara encontrar, geralmente as unidades estão focadas apenas em doentes de Alzheimer, e nós queremos dar apoio especializado às pessoas com doenças neurodegenerativas, que requerem cuidados especializados, de acordo com os sintomas e estados da doença, bem como prestar apoio às famílias e cuidadores desses pacientes, que, habitualmente, ficam de rastos psicologicamente”, explicou a provedora da Misericórdia com entusiasmo.

Intervenção comunitária alargada a todo o concelho

A provedora salienta que a Misericórdia da Maia é uma das instituições com mais creches e jardins de infância no âmbito das misericórdias do país, mas trabalha ainda com centros de ATL, centros de dia, clubes seniores, estruturas residenciais para seniores, apoio domiciliário e centros de intervenção comunitária. Nestes últimos centros são prestados apoios às crianças e juventude, aos cidadãos em idade ativa, aos excluídos, aos seniores, com a residência tutelada (Casa do Sobreiro), apoio alimentar, formação profissional, entre outros.

No âmbito da intervenção comunitária integram-se ainda projetos como o (Re)Criar, em que são apoiadas com alimentos quase 2500 pessoas (884 famílias). A Misericórdia possui ainda serviço de transporte de pessoas com deficiência (19 casos) e está a desenvolver o projeto As Maiatas, na vertente de capacitação para o empreendedorismo.

Maria de Lurdes Maia

Apoio Alimentar das refeições diárias e com cabazes familiares

O Programa (Re)Criar está sediado em Águas Santas e Pedrouços, refere a responsável pela Misericórdia. “É lá que recebemos tudo o que nos é doado pelo Banco Alimentar”, sendo que se procura trabalhar em rede com outros parceiros da área social. “Esta ligação em rede procura eliminar as sobreposições para que as pessoas não estejam a receber ajudas de várias instituições em simultâneo, enquanto outras não recebem nada, pelo que trabalhamos com Juntas de Freguesia, a Segurança Social, os GAIL (Gabinetes de Atendimento Integrado Local), a Câmara Municipal, entre outros. Temos técnicos preparados para avaliar as situações de quem nos procura, fazemos um diagnóstico e se for de apoiar, naturalmente, que ajudamos”, referiu Maria de Lurdes Maia.

Com a crise dos últimos anos, passou a haver uma maior solicitação de instituições ao Banco Alimentar, “verificando-se que o apoio que o Banco nos dava vinha a diminuir, o que fazia com que o cabaz alimentar que dávamos às famílias sinalizadas também ficava menos enriquecido. Temos cabazes alimentares mensais e de emergência e sabemos que não conseguimos resolver os problemas das pessoas, embora se consiga atenuar as dificuldades por que elas passam. Em consequência desta carência, apresentamos à Câmara Municipal, através do Pelouro da Ação Social, este problema e solicitamos mais um apoio. A autarquia correspondeu e resolveu criar uma verba específica para que a Santa Casa possa comprar mais alimentos e inserir num cabaz que seja minimamente aceitável para suprir as necessidades das famílias maiatas”.

Portas abertas para ajudar

Maria de Lurdes Maia adianta que a Misericórdia tem sempre as portas abertas para quem precisa de ajuda e que o apoio nem sempre é direto, como o caso da alimentação, mas “também procuramos dar apoio indireto nalguma situação em que nos seja possível ajudar e facilitar nalgum problema, que, muitas vezes, está escondido e as famílias até têm vergonha de desvendar e procurar auxílio. Podem consultar-nos, pois procuramos encontrar sempre uma solução para a dignidade do ser humano”.

Por outro lado, a responsável pela Santa Casa refere que uma das políticas da instituição sempre foi “não dizer não a desafios que nos sejam colocados desde que os possamos concretizar minimamente”. Foi o que sucedeu com o desafio que nos foi colocado pela Câmara da Maia com a parte alimentar do PMES – Programa Municipal de Emergência Social, cuja operacionalização foi proposta à Misericórdia. Toda a vertente social do PMES é desenvolvida pela autarquia, frisou a Provedora, que crê que o facto de haver conhecimento da Misericórdia neste tipo de apoio e um domínio da presença por todo o concelho contribuiu para que a Câmara confiasse este serviço à Santa Casa. Por outro lado, explicou, “a partir de certa altura, as câmaras municipais deixaram de, por lei, poder ser recetoras dos bens cedidos pelo Banco Alimentar”.

Não será “nenhum favor à Misericórdia”, o reforço do apoio alimentar para distribuir pela comunidade nem a instituição fica com os louros. “As pessoas têm perfeito conhecimento de onde vêm os produtos dos cabazes. Somos um mero intermediário”, refere a Provedora, que não vê motivos para que seja questionada a parceria realizada entre a Câmara da Maia e a Misericórdia neste serviço.

Residência partilhada como solução temporária

A Santa Casa possui uma residência partilhada (Casa do Sobreiro), um T3, “muito bem equipado” vocacionado para homens. Tem capacidade para cinco pessoas, mas só lá estão agora três moradores. Nesta altura, diz a Provedora, “tem-se verificado mais necessidade no sexo masculino, em que as pessoas, por uma situação inesperada na vida, ficaram sem casa. Ali naquele apartamento, os utentes têm uma residência temporária até que consigam criar condições de vida para que, rapidamente, consigam fazer a transição e ultrapassar a dificuldade. Já temos tido casos de sucesso em que as pessoas conseguiram debelar os problemas e até já estão a trabalhar connosco”.
Os candidatos a esta residência podem ser colocados por conhecimento próprio da Misericórdia ou encaminhados por outras instituições, como por exemplo, a Segurança Social ou pelos GAIL.

Equipa que “veste a camisola”

“Temos pessoas que trabalham há mais de 20 anos connosco e são dedicadíssimas, parecendo que não, isto facilita muito o nosso trabalho no sentido da eficiência”. Com um orçamento de 8 milhões de euros por ano, a Santa Casa empreende uma luta constante para desenvolver a sua atividade e apresentar-se financeiramente saudável. Maria de Lurdes Maia salienta que a Misericórdia maiata devido à sua pouca longevidade não possui o património acumulado ao longo de anos ou séculos como outras instituições, nem tem qualquer receita de jogos da sorte como a Santa Casa de Lisboa (“e que, erroneamente, as pessoas confundem e pensam que as verbas são para todas as misericórdias”). Assim, a casa é gerida com as receitas dos utentes e os protocolos efetuados com a Segurança Social. A Misericórdia tem beneficiado de cedências de equipamentos ou de terrenos por parte da Câmara Municipal, como habitualmente esta apoia as IPSS.

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