SCUT: Quem fez as contas?

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É esta a pergunta da concelhia da Maia do Bloco de Esquerda em relação à introdução de portagens nas SCUT, que vão começar a ser pagas a 15 de Outubro. Em causa estão os encargos para as vias da Costa de Prata, Grande Porto e Norte Litoral. Uma despesa de cerca de 200 milhões de euros que as portagens não vão resolver, no entender do líder do BE na Maia, Silvestre Pereira.

“É absurdo responsabilizar as SCUT pelos problemas financeiros que o país atravessa”, diz o responsável concelhio do BE. Diz ainda Silvestre Pereira que a introdução de portagens “é mais um ataque às populações” que são abrangidas pelas vias que vão deixar de ser grátis e que visavam promover o desenvolvimento das regiões que atravessam. “Dizerem-nos que isto é fundamental para resolver o problema do défice não é verdade, isto é uma gota de água no oceano”, acrescenta. Perdem as populações “mais pobres, quando o problema podia ser resolvido por quem pode, por quem tem mais capacidades financeiras”, adianta Silvestre Pereira.

Outro problema para o qual o BE alerta prende-se com um possível aumento de sinistralidade nas vias em que as SCUT vieram fazer de alternativa. Em comunicado, o BE refere que a sinistralidade entre 2000 e 2007 registou um decréscimo no número de mortes por acidentes rodoviários. Este valor baixou para metade as fatalidades na estrada. A razão para estes números não foi “a condução mais cuidada” dos automobilistas mas sim “a construção de 918 quilómetros de SCUT”, entende o BE. “A Maia com tantos problemas de trânsito no seu interior, vai começar a ser invadida por veículos pesados e comerciais. “As pessoas vão começar a ver as estradas danificadas, o trânsito interrompido, o ambiente prejudicado… entre outros problemas” que vão acabar por gerar prejuízo, garante Silvestre Pereira. Poupa-se num lado, gasta-se no outro, pelo menos a longo prazo, considera o líder concelhio do bloco.

A poucos dias da introdução de portagens, diz Silvestre Pereira que não se deve “atirar a toalha ao chão” e que é necessária “uma grande revolta”, porque “é preciso ir para a luta”, apoiada pelo Bloco de Esquerda, apela o responsável concelhio. Alerta ainda para o dia em que “a marginalidade vai passar a ser obrigatória porque as pessoas não vão ter condições para subsistir e assim se poderá instalar uma grande revolta social” que o Bloco apoiará, porque “isto assim não pode ser. Há outras soluções para resolver o problema da situação económica. Isto é um ‘bluff’. Não é como nos querem fazer crer que é”, finaliza Silvestre Pereira.

Pedro Póvoas