Seminário debate comportamentos de risco

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Comportamentos de risco – Causas, consequências e estratégias de intervenção. As problemáticas estiveram na terça-feira da semana passada, durante todo o dia, em debate, no Auditório Venepor, num seminário organizado pelo Projecto Inserir da Santa Casa da Misericórdia da Maia.

 

O Inserir é um projecto de intervenção na área das dependências que começou em Janeiro deste ano e será apoiado durante dois anos pelo IDT – Instituto da Droga e da Toxicodependência. A Santa Casa já trabalhava nesta área mas agora o trabalho surge de uma forma mais estruturada. Nesse sentido, já tinham programado realizar quatro seminários, ao longo dos dois anos, para convidarem técnicos que os ajudassem a responder a muitas questões que os técnicos têm enquanto trabalhadores de terreno. No fundo, “o seminário foi uma necessidade”, referiu um dos elementos da organização, Mário Figueiredo.

A iniciativa destinava-se a técnicos da área social, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais, educadores sociais, e estudantes, embora um dos objectivos fosse também chamar os pais a este seminário. Por isso, a primeira preocupação da organização na escolha dos oradores foi no sentido de ir buscar pessoas que lhes pudessem responder ou ajudar em questões com que os técnicos se confrontam no dia-a-dia. Foram escolhidos tendo em conta a experiência pessoal de cada um. “Procuramos encontrar pessoas que nos ajudem em áreas como o álcool, a cocaína, a dependência, as doenças infecto-contagiosas, as questões de ligação à família e a articulação entre dependentes e família, foi uma escolha muito pragmática. Foi mesmo pensar em que é que nos pode ajudar para nós podermos no dia-a-dia enfrentar os desafios porque todos sabemos bem as dúvidas e ansiedades que temos”, conta Mário Figueiredo.

Por exemplo, o psicólogo, investigador e aluno de doutoramento na Universidade do Minho, Rodrigo Lopes, trabalha com “cocainómanos” no Brasil. “É um problema que nós agora temos muito em Portugal. A cocaína chegou aqui em força e nós debatemo-nos com esta questão. Portanto, ele é uma mais-valia nesta matéria e pedimos-lhe para ele vir partilhar connosco a sua experiência”, justifica o organizador.

Outro dos oradores foi o médico psiquiatra, psicanalista, Eurico Figueiredo. O também professor jubilado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar apresentou em primeira-mão um estudo sobre o álcool na família e na adolescência.

A ideia, acrescentou Mário Figueiredo, era proporcionar conhecimentos às pessoas que trabalham com outras pessoas para que “este processo do trabalho com o dependente se inverta porque, lamenta, “não tem resultado até agora”. “Estamos a tentar um outro caminho para ver se conseguimos, de uma forma mais eficaz, conseguir responder a estes grandes desafios que todos os dias são diferentes”, referiu.

A cocaína: prevenção e tratamento; e o uso e abuso de álcool foram os temas debatidos de manhã. Durante a tarde, os técnicos conheceram ainda experiências relacionadas com a toxicodependência e a família, a toxicodependência, psicopatologia e crime; violência doméstica e a linguagem dos afectos na idade das (in)definições.

Isabel Fernandes Moreira