Ser mãe aos 16 anos: da confusão à emoção

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Não há idade para se ser mãe. Mas quando se fala em ser mãe aos 16 anos quase sempre se associa a gravidez indesejada. Não é o caso de Cátia Bastos, uma maiata que faz em Julho 21 anos e tem uma filha com quatro. Foi uma gravidez desejada, ainda que agora a veja como decisão inconsciente. Até a Miriam nascer, o Dia da Mãe era apenas mais um do calendário. Até porque a sua mãe também não dava valor à data festiva. Mas as coisas mudaram. Ainda que não imediatamente após o nascimento.

A convite de PRIMEIRA MÃO, Cátia Bastos fez um regresso ao passado. À altura em que tinha apenas 13 anos e que “tudo começou por causa de um namorico de criança” ou “uma amizade normal”. Nada mais, nada menos, do que com o pai de Miriam e actual namorado de Cátia. Mas queriam algo mais, o que não agradou aos pais. Como “não se davam bem com a família dele”, recorda, “era constantemente proibida de falar ou sair com ele”. Não resultou.

Fazendo jus ao ditado “O fruto proibido é sempre o mais apetecido”, passaram a namorar às escondidas. Sempre que os pais o descobriam, era transferida para outro quarto ou castigada. Chegou mesmo a ser retirada da escola, para evitar o contacto com o namorado”, atrasando os estudos em dois anos. Seguiu-se meio ano a viver em casa de tios, na Trofa, e outros cerca de seis meses com os familiares em França. “Cansada de lá estar, prometi aos meus pais que nunca mais o procurava e que voltaria tudo ao normal”. Mas o regresso não foi de encontro à vontade dos pais.

Apostados em manter a relação, mesmo contra tudo e contra todos, Cátia e o namorado programaram a gravidez. Estava no 9º ano de escolaridade. Agora, admite que “inconscientemente”, desejando ter “imposto mais em relação a este namoro” e não ter tomado “uma decisão tão infantil como ter um filho aos 16 anos”. Aliás, considera, “se os meus pais não tivessem dado tanta importância, eu hoje não era mãe e, com certeza, estaria na faculdade”. O sonho foi apenas adiado. Quando muitos pensavam que a gravidez a iria fazer abandonar os estudos, Cátia disse “Não” e aplicou-se mais do que nunca. “Para provar às pessoas que podemos errar, cometer falhas, mas devemos sempre tentar superá-las e dar o nosso máximo”.

Apoio da Socialis

Quando soube que estava grávida, foi muita “a confusão” e o medo. Nomeadamente por não saber como contar aos pais. E até o suicídio foi uma hipótese equacionada. Dado o turbilhão de pensamentos, uma amiga sugeriu-lhe que recorresse ao projecto Semente da Socialis – Associação de Solidariedade Social, que acompanha grávidas, mães adolescentes e jovens em situação de risco social grave. Foi lá que encontrou apoio de psicólogos, assistentes sociais e outras funcionárias, que a ajudaram a nível pessoal e familiar. Quatro anos depois, continua ligada ao projecto, mas já não com o mesmo tipo de acompanhamento intensivo.

Confirmada a gravidez, Cátia regressou a casa do pais, onde esteve até aos cinco meses e, depois, em casa da avó e do marido. Com o nascimento da Miriam, regressou a casa, ainda esteve a viver com o namorado e, com a filha nos braços, em Vila Nova da Telha, no CAV – Centro de Apoio à Vida do projecto “Semente”.

Responsável e realizada

Agora que é mãe, Cátia Bastos sente-se “mais responsável e protectora”. Vê a Miriam como parte de si própria, como alguém a “proteger, transmitir bons valores e tentar dar o melhor para que ela sinta sempre um enorme orgulho na mãe que tem”. Este é um sentimento contínuo, mas que se destaca sempre que se aproxima mais um Dia da Mãe. Pelo menos, desde que a filha completou dois anos de idade, altura em que “já interagem bastante connosco”, justifica. Por isso, “fico uma mãe babada nesse dia em especial, porque mãe babada sou sempre, todos os dias”, assegura a jovem maiata.

Para isso contribuem atitudes como a que recorda do ano passado. Regressada das compras com a avó, a Miriam correu para a mãe assim que chegou do trabalho, abraçou-a e ofereceu-lhe um diploma com a inscrição “Para a Melhor Mãe do Mundo”. “Fiquei mesmo emocionada nesse dia…”, admite. Este ano não deverá ser diferente, tendo-se evidenciado a Miriam como “uma criança muito expressiva”. Sem desvendar tudo, já confessou à Cátia que está a preparar uma surpresa: “Mamã, estou a fazer um presente lindo para ti, tá bem? Mas não vês!.. é batota”.

Por tudo isto, pelo misto de dificuldades, tristezas e alegrias, Cátia Bastos assume-se como uma mãe “realizada”… com uma filha que “todos os dias dá força para ir sempre mais além”.

À inconsciência da decisão de engravidar, segue-se a consciência de Cátia Bastos de que a percepção do que se passou entre ela e a família poderá mudar quando a Miriam chegar à adolescência. Mas crente que “não é a proibir desta maneira que se consegue mudar a cabeça de um adolescente que simplesmente pensa no momento e não no que poderá advir das suas acções”.

Marta Costa

1 COMENTÁRIO

  1. compreendo e estou a passar pelo mesmo a minha namorada esta gravida e tem 13 anos o pai sou eu a familia dela quer que ela aborte eu nao quero deixar eles fazerem isso …………………………pois esta uma vida em causa que nunca possa a nascer mais da mesma pessoa dizei-me sei que foi um erro mas acho que vou recuperar depois disto

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