Shelterbox Portugal formalizada na Maia (com áudio)

0
226

A Shelterbox chegou a Portugal. A associação nascida há dez anos em Inglaterra tem agora organização no nosso país, formalizada na Maia em Julho. O presidente da direcção é Serafim Santos, o primeiro presidente do Rotary Club da Maia, que conta já com a ajuda de mais 12 pessoas. Mas são precisas muitas mais. Porque nunca se sabe quando e onde uma catástrofe natural pode mudar a vida de cada um de nós… no espaço de segundos.

Porque é num curto espaço de tempo que um fenómeno natural como as cheias, os vulcões, sismos, tufões ou furacões destrói praticamente tudo, o conceito da Shelterbox assenta na ajuda imediata. “Nós temos que, muito rapidamente, chegar ao local do acidente, com as caixas, montar as tendas e virmos embora”, desvenda o responsável pela Shelterbox Portugal. A partir daí, o trabalho de reconstrução de infra-estruturas é feito por outras organizações, nomeadamente o DRRAG (Disaster Relief Rotarian Action Group) do Rotary International, que é membro Serafim Santos.

Antes, estão no terreno as equipas SRT (Shelterbox Response Team) compostas por duas pessoas. Daí a necessidade de divulgar o projecto e angariar voluntários, inclusive na Maia. São alguns os requisitos para poder integrar uma SRT. Desde logo, ter disponibilidade imediata, preparação física adequada e ser psicologicamente forte para enfrentar os cenários que podem encontrar pela frente. Ao mesmo tempo, acrescenta Serafim Santos, “ a pessoa também tem que estar preparada para alguma privação física de coisas que assumimos como adquiridas”.

Estas equipas acompanham as primeiras caixas que chegam ao território afectado pela catástrofe. Embora os kits sejam adaptados a cada zona de intervenção – consoante o tipo de desastre, o clima, as características do local afectado ou até o risco de conflitos usando algumas das ferramentas que o compõem – a caixa contém, habitualmente, uma tenda para dez pessoas, cobertores, mantas para colocar no chão, um contentor de água e pastilhas de purificação, um fogão e trem de cozinha completo e um saco com ferramentas variadas: martelo, serrote, machado, cordas, alicates e outras. A própria caixa, depois de vazia, tem também utilidade, podendo reservar até 180 litros de água ou servir apenas para armazenar alimentos.

O valor de cada caixa ronda os 750 euros, incluindo os materiais e os custos associados ao transporte e armazenamento. Em suma, “toda a logística que está subjacente a mandar a caixa”, conclui Serafim Santos.

Depósito avançado

Depois de ter marcado presença em diversas reuniões do rotary, sempre para dar a conhecer o movimento Shelterbox em Portugal, está a decorrer a fase final de estruturação da associação, que ainda tem como sede a casa do presidente. Actualmente com cerca de 20 voluntários – sendo 13 os fundadores – a maioria são rotários, mas este não é requisito obrigatório para ajudar.O apoio pode ser concretizado fazendo-se sócio da Shelterbox Portugal, com quotas a partir de um euro mensal.

[audio:SHELTERBOX.mp3]

Há também espaço para sócios beneméritos e sócios honorários. Uma das actuais missões de Serafim Santos passa passa por celebrar com grandes empresas os chamados “contratos morais”, no sentido de se comprometer a oferecer um determinado valor em caixas, por ano. É também intenção da associação criar em Portugal um depósito avançado de caixas – com 200 a 400 – sendo esse o objectivo da viagem a Inglaterra, prevista para Outubro.

No caso da Shelterbox, qualquer doador pode saber onde foi parar a sua ajuda. Independentemente do valor que oferece, é atribuído um número à doação, que é comunicado por e-mail a quem doou. Segue-se outra mensagem de correio electrónico a indicar o destino da caixa, sempre que acontece uma catástrofe. Nessa mesma caixa, além dos utensílios que a compõem habitualmente, segue um documento com esse número da caixa e o(s) nome(s) de quem ofereceu. E, através do site da organização na Internet, o doador pode acompanhar esse percurso.

Por cá, a associação vai-se dando a conhecer em reuniões de clubes rotários e na Internet, através do portal da organização ou do blog criado no nosso país.

Marta Costa