SMAS quer combater ligações clandestinas

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ETAR de CambadosSe a água potável está disponível para todos os maiatos, o mesmo se pode dizer da recolha, transporte e tratamento das águas residuais. Desde 2001, aproximadamente, que “todo o concelho tem redes de água e de saneamento, que é devidamente tratado”, através dos quase 600 quilómetros (kms) de emissários e colectores de saneamento. Assegura o director-delegado dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) da Maia que “o município da Maia não lança um metro cúbico ou um litro de esgoto sem tratamento”.

Esses esgotos são conduzidos para três Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR’s): ETAR de Parada, ETAR de Ponte de Moreira e ETAR de Cambados. Na primeira são tratados os efluentes de quase 75 por cento do concelho e ainda uma parte da freguesia de S. Mamede de Infesta, no concelho vizinho de Matosinhos. A ETAR de Ponte de Moreira, a funcionar desde 1997, trata as águas residuais urbanas de Moreira e parte das freguesias de Barca, Gemunde, Maia e S. Pedro de Avioso. Resta falar da ETAR de Cambados, datada de 1985, e que foi a primeira de depuração a nível municipal da Área Metropolitana do Porto. A esta estação chegam – e são tratadas – as águas residuais produzidas nas freguesias de Gemunde, Moreira e Vila Nova da Telha.

No ano passado, foram tratados por estas ETAR’s 7 milhões e 952 mil metros cúbicos de caudais de águas residuais, um número que tem vindo a aumentar, ano após ano, desde 2005.

Diz ainda Albertino Silva que é uma rede “muito boa”, por ser “separativa”, isto é, recebe apenas águas residuais. Pelo menos assim deveria ser. “Infelizmente”, lamenta, há ainda na Maia “milhares de casas” onde as águas pluviais provenientes dos pátios e logradouros estão clandestinamente ligadas ao saneamento. Ao ponto dos colectores funcionarem “em pressão”, sempre que chove, acabando por encher as caixas e até levantar as tampas de ferro. Adverte o responsável pelos serviços que, em alturas de fortes chuvadas, o caudal que chegar às ETAR’s “triplica”.

Esta é uma situação que os SMAS da Maia não têm conseguido inverter. Primeiro, porque os alertas não têm resultado e porque não é fácil identificar os infractores. Admite Albertino Silva que a única forma de acabar com esta situação, “dramática e com muitos custos para os serviços e para os utentes das vias”, deverá passar pela aplicação de “coimas muito pesadas, dos cinco mil euros para cima”, a par de campanhas de alerta, inclusive através da televisão. Em último caso, recorrer a mandatos judiciais para entrar em casa e verificar essa ligação.

Importa ainda referir que, também em Parada, os SMAS da Maia possuem a única Estação de Compostagem de Lamas proveniente do tratamento de águas residuais, existente em Portugal. Do saneamento são retiradas cerca de 600 toneladas de lama por mês, cuja compostagem permite a produção do chamado Agronat, um fertilizante orgânico, natural, limpo e inodoro. É comercializado em Portugal, mas também já em Espanha.

Marta Costa

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