Sopa é o alimento de Inverno

0
226

Todos os anos, 16 de Outubro é a data em que mais de 150 países assinalam o Dia Mundial da Alimentação. Este dia não foi escolhido ao acaso uma vez que é a mesma data em que foi criada a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), já no longínquo ano de 1945. No entanto, este Dia da Alimentação só se comemora desde uma data mais recente, 1981.

Desde o início que a FAO tem bem definidos os objectivos que pautam o Dia Mundial da Alimentação: promover uma maior atenção à produção agrícola em todos os países e um maior esforço nacional, bilateral, multilateral e não governamental para este fim; estimular a cooperação económica e técnica entre países em desenvolvimento; promover a participação das populações rurais, especialmente das mulheres e dos grupos menos privilegiados, nas decisões e actividades que afectam as suas condições de vida; aumentar a consciência pública sobre a natureza do problema da fome no mundo; promover a transferência de tecnologias para os países em vias de desenvolvimento; fomentar ainda mais o sentido de solidariedade nacional e internacional na luta contra a fome, a desnutrição e a pobreza, e destacar os êxitos em matéria de desenvolvimento alimentar e agrícola.

Na comemoração de 2009, o tema é "Alcançar a segurança alimentar em época de crise", uma escolha feita devido ao momento que se vive na economia mundial e ao facto de em 2009 a FAO prever que se atinja um novo recorde de pessoas com problemas causados pela falta de acesso a uma boa alimentação: 1,020 mil milhões de pessoas em todo o mundo, o que corresponde a uma em cada seis pessoas no planeta.

O momento e a gravidade do problema não passaram despercebida a Bill Gates. O fundador da Microsoft resolveu doar 120 milhões de dólares (80,3 milhões de euros) para apoiar o desenvolvimento da segurança alimentar em África e na Índia, dinheiro que será utilizado em vários projectos de desenvolvimento agrícola que visam resolver o problema a longo prazo.

A presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, Alexandra Bento, afirma que o tema da segurança alimentar pode ser encarado de duas formas: “É um tema transversal que pode ser visto em termos da própria segurança, da qualidade da alimentação, e do equilíbrio alimentar, até porque a alimentação é um dos determinantes que mais influencia no estado de boa saúde do indivíduo”.

Em relação à alimentação dos portugueses, a nutricionista considera que “é necessário um novo inquérito alimentar nacional, que esperamos que seja para breve” e aponta alguns maus hábitos: “Nós sabemos que há algumas coisas que teimam em ser corrigidas como o baixo consumo de frutas e legumes, a questão do sal, pois somos dos países que tem maior consumo de sal, mais do dobro das 5 gramas/dia aconselhadas pela Organização Mundial de Saúde, o consumo excessivo de gordura, e o número insuficiente de refeições, principalmente a questão do pequeno-almoço, porque muita gente sai de casa sem o tomar”.

Alexandra Bento elogia o trabalho nas escolas “com a implementação dos alimentos que devem ser incluídos nas ementas dos bufetes e cantinas e dos que não devem”, mas alerta para o facto de não ser suficiente: “tem que haver também a parte educacional, ou seja, o ambiente envolvente das crianças e jovens, com todos os que os rodeiam, como professores, auxiliares e até os próprios pais, que têm que dar o exemplo, até porque, por exemplo, o jantar acaba por ser muitas vezes a única refeição quem fazem em família”.

O mês de Outubro marca também o início de uma nova estação – o outono – que, apesar de para já não se notar muito, traz o frio com ela e mudam alguns hábitos alimentares dos portugueses. Para além do aumento da temperatura dos alimentos, que é importante, a presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas elege algo que os portugueses muitas vezes desprezam como primordial nesta época do ano: “um alimento muito importante é a sopa porque preenche os requisitos todos. É uma boa maneira de iniciar uma refeição, tem equilíbrio nutricional e, acima de tudo, tem os ingredientes importantes, como legumes e hortaliças. Aliás, sem a sopa, quase podemos dizer que a refeição não está completa. Além disso, atendendo a que esta altura é muito propícia a gripes e constipações, as sopas de legumes e hortaliças, que aquecem o corpo, alimentam, são pouco calóricas e ricas em vitaminas e minerais que reforçam as defesas do seu organismo”.

Em relação ao já habitual aumento de peso dos portugueses nos mesmos mais frios, Alexandra Bento aponta as razões: “O principal motivo será um maior sedentarismo durantes esta altura do ano. As pessoas têm tendência a não fazer grande esforço físico, até porque as condições climatéricas são piores e é normal tentar abrigar-se em locais mais aconchegados. Isto aliado ao consumo de refeições ditas mais pesadas faz com que haja um aumento de peso. Mas de facto não há nenhum motivo para isso acontecer se as pessoas fizerem uma alimentação equilibrada”. A nutricionista deixa também alguns alertas para contrariar esse facto: “De facto, nmesta altura o consumo de proteínas será mais importante do que as calorias, pois temos mais dificuldade em despendê-las. Mas com isto não quero dizer que as pessoas têm que de consumir mais peixe, carne e leite, até porque os portugueses já o fazem até em quantidades excessivas. A balança aqui pode ser um bom instrumento auxiliador no controlo de peso”, conclui a Alexandra Bento.

André Cordeiro