Trabalhadores do Centro de Distribuição dos CTT em greve parcial

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Cerca de duas dezenas de trabalhadores do Centro de Distribuição dos CTT, situado na Zona Industrial da Maia, concentraram-se, segunda-feira, à porta do edifício da Câmara Municipal da Maia.
Protestavam contra o facto da empresa dos correios não estar a pagar os custos a mais que passaram a ter nas deslocações, desde que foram transferidos de Vila Nova de Gaia para a Maia.
Os protestos começaram há quase duas semanas, primeiro com a montagem de um acampamento junto à empresa, sem faltarem ao trabalho.

E depois de terem sido “enxovalhados”, dizem, pela administração dos CTT, decidiram avançar, segunda-feira, com uma greve parcial de três horas e meia por trabalhador. Alexandre Ribeiro, um dos grevistas, acusa a empresa de mentir e de não cumprir o que prometeu. Na semana passada, foram chamados a Lisboa para reunir com a administração. Partiram com a esperança de que as suas reivindicações iriam ser ouvidas, mas aconteceu precisamente o contrário. “Fomos enxovalhados pela administração. Inclusive, mentiram-nos, porque aquilo que tinham dito que nos davam, retiraram. Disseram que se enganaram. Estão a jogar com o frio, com a chuva para nos desmobilizarem”, lamenta o grevista.

A empresa tinha dito que pagava os custos a mais nas deslocações dos trabalhadores com horários repartidos (período de três horas e meia a quatro horas de trabalho de manhã e o restante de tarde), mas “deram o dito por não dito”. “Disseram que não, que vão pagar ao quilómetro só de manhã, que de tarde temos os transportes públicos. Mas isso, traz um acréscimo de tempo em viagens”, diz Alexandre Ribeiro, que já não vai a casa há “nove dias”.
Entre os trabalhadores, cerca de 280, a vontade era de avançar para a greve total, mas consideraram que seria “penoso” para todos, nesta altura do Natal.

Dizem que estão a ser discriminados, uma vez que noutros centros de distribuição que foram deslocalizados, os trabalhadores estão a ser pagos pelos quilómetros a mais.
Apesar de “cansados”, garantem que vão continuar a luta, mantendo-se acampados junto às instalações do Centro de Distribuição dos CTT, na Maia. E garantem que estão dispostos a passar a noite da consoada no acampamento improvisado.

As queixas dos trabalhadores dos CTT foram ouvidas pelo deputado do PCP, Honório Novo, que se juntou aos manifestantes, na segunda-feira. E ainda pelos elementos do Bloco de Esquerda (BE), que manifestaram a sua solidariedade para com os trabalhadores. Em comunicado, o BE anunciou ainda que irá dar entrada no parlamento, uma pergunta dirigida à Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, “denunciando esta situação e exigindo uma posição do Governo no sentido de obrigar a administração dos CTT ao pagamento do subsídio de deslocação ou transporte”.

Fernanda Alves