Tram-train transportam (quase) todos

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Nem tudo são vantagens nos novos veículos usados pela Metro do Porto. Os tram-train, descritos pela empresa como composições “mais rápidas e mais potentes” e que “elevam os níveis de comodidade e fiabilidade a que a rede de metropolitano tem habituado os seus clientes”, deixam a desejar no que respeita a acesso por pessoas com mobilidade condicionada. Que o diga João Couto Lopes, que até faz a viagem de Vila Nova da Telha para a Maia pela estrada – na sua cadeira de rodas eléctrica – para não incorrer em mais prejuízos ao tentar entrar no metro.

Desde logo, encontra como obstáculo a entrada e saída das carruagens, já que as rodas das cadeiras “ficam lá presas”, tendo em conta a distância a que ficam em relação ao cais. Mais ainda se a bateria não estiver a cem por cento, uma vez que estamos a falar de uma cadeira eléctrica. A opção poderia passar pela ajuda dos seguranças que habitualmente estão pelas estações, mas João Couto Lopes admite tratar-se de uma tarefa complicada, olhando ao peso total: cerca de 218 quilos.

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Das vezes que forçou a entrada já resultam prejuízos. Pelo menos, um amortecedor partido, olhando à força que tem que fazer para aceder ao interior. E “desde que não esteja ninguém no interior do veículo, senão atropelo-as”. Por falar em interior, João Couto Lopes contesta também os locais reservados ao “estacionamento” das pessoas com mobilidade condicionada, advertindo para o facto da lei defender que seja “o mais próximo da porta”. Já o foi nas anteriores viaturas mas, no caso dos tram-train, “tenho que atravessar a carruagem para o outro lado, para estacionar num estacionamento complicadíssimo, sem acesso directo”. Sem grandes limitações, se a carruagem estiver vazia, mas a tarefa complica quando há mais passageiros.

Não é essa a perspectiva da Metro do Porto. Num comunicado publicado no site da empresa em Setembro do ano passado – a propósito do início dos testes na Linha Vermelha – lê-se que “uma soleira em cada porta facilita o acesso dos clientes ao interior do veículo, diminuindo o espaço (gap) entre o cais e o veículo e adaptando a sua altura, eliminando qualquer degrau ou obstáculo à circulação das pessoas, nomeadamente clientes com mobilidade reduzida”.

Acção de rua

O também membro da Delegação do Norte da Comissão Nacional dos Organismos de Deficientes chegou a solicitar ao Provedor Metropolitano do Cidadão com Deficiência que o acompanhasse na reunião com a comissão executiva da empresa responsável pelo metropolitano de superfície, mas acabou por não marcar presença. “E nem uma explicação até hoje”, lamenta o vilanovense.

A reunião aconteceu a 10 de Maio, tendo a empresa assumido o compromisso de pagar os prejuízos causados pelas tentativas de entrar nas carruagens. Entregue o respectivo orçamento a 18 de Junho, “até hoje, nem resposta”, lamenta. Da mesma forma que não foram ainda adoptadas pela empresa quaisquer medidas para facilitar o acesso. Por isso, está já a ser pensada uma acção de rua, junto a uma estação de referência do metro, que deverá juntar vários cidadãos que se deslocam em cadeira de rodas.

Entretanto, PRIMEIRA MÃO tentou o contacto com a Metro do Porto para uma reacção às declarações do maiato João Couto Lopes. Mas sem sucesso, dado que o responsável pela ligação com a comunicação social se encontra de férias.

Marta Costa