Um século de brincadeiras em exposição na Maia

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São brinquedos que marcaram a infância dos mais crescidos. Uns mais recentes, outros mais antigos. Princípio, meio e fim do século 20, está tudo lá. Objectos para a brincadeira capazes de despertar nostalgia a avós, pais e até mesmo filhos. De livros do pretinho da Guiné aos carrinhos de rolamentos, de bonecas dos anos 20 a jogos da Majora dos anos 50, está tudo no Museu de História e Etnologia da Terra da Maia, numa parceria com o Museu do Brinquedo de Seia. A mostra conta também com a colaboração de Carlos Anjos, um coleccionador particular.

São brinquedos antigos, mas que apelam à memória de toda a gente. A gestora da colecção e responsável pelo museu, Sara Lobão, garante que "a exposição não está feita só para os mais pequenos". E são esses mais pequenos que, em visitas escolares, "depois transmitem o que viram aos mais velhos". Esta partilha de experiências entre miúdos e graúdos é didáctica e serve para mostrar aos mais novos "como se brincava antes, que quase do nada se fazia um brinquedo", considera a responsável. "Brincava-se com coisas muito simples, brinquedos que, se calhar, agora não são nada apelativos para os mais pequenos", acrescenta. A responsável pela colecção chega mesmo a considerar "engraçado a maneira como diferentes gerações se reúnem para ver os brinquedos de antigamente".

A exposição está dividida em duas partes. Uma das salas está ocupada pela colecção do Museu do Brinquedo de Seia. Nessa parte da exposição, é possível ver brinquedos dos quatro cantos do mundo. Mesmo ao lado, uma colecção privada, com brinquedos nacionais, que retratam um século de brincadeiras em solo nacional. Peças contemporâneas são poucas e a maioria "vem" dos anos 50 do passado século. E que já foram vistas por mais de 600 pessoas desde que a exposição abriu em Setembro, estima Sara Lobão. Durante a semana, "as escolas que organizam visitas são em maioria", mas ao fim-de-semana o cenário muda de figura e é possível ver diferentes gerações, de mão dada, a passear pelos corredores do museu.

São mais de 300 peças prontas a serem vistas pelos curiosos, mas que não deram muito trabalho a organizar, como conta Sara Lobão. "A colecção que veio do Museu do Brinquedo de Seia já estava organizada". Quanto à colecção de Carlos Anjos, o coleccionador privado que cedeu, ainda que temporariamente, parte do espólio ao Museu de História e Etnologia da Terra da Maia, "foi difícil escolher quais os exemplares que queria ter aqui", porque o coleccionador "tem o mundo do brinquedo em casa, são mesmo muitas peças". A maior dificuldade esteve no posicionamento dos brinquedos no espaço do museu, mas foi uma tarefa que também se tornou lúdica, já que "à medida que íamos montando a exposição, também íamos brincando um bocadinho", revela Sara Lobão. "As crianças que vêm aqui e vêem os brinquedos ali fechados ficam com vontade de brincar com eles… mas nós pudemos fazer isso", acrescenta, em tom de… brincadeira.

E numa altura em que as novas tecnologias tornam obsoletos os brinquedos à moda antiga, como é a reacção dos mais novos ao ver brinquedos mais antigos? "A maioria tem a noção de uma realidade completamente diferente. Por exemplo, as bonecas que aqui temos não são nada inspiradoras para as meninas de agora. Não acredito que tivessem vontade de brincar com elas", confessa. Sara Lobão tenta que a "atenção esteja voltada para os pormenores. Fazer os mais novos ver como eram feitos os brinquedos e descobrir os materiais utilizados". Na "guerra dos sexos", são os rapazes que saem do museu "mais encantados" com a exposição, porque ainda "se identificam com o cavalinho, o carrinho, o barco… ao passo que as raparigas olham para as bonecas e estranham um bocado, ficam um pouco desiludidas", revela a responsável. Ainda assim, diz Sara Lobão que a organização tenta "fazer com que os visitantes mais novos vejam todos os pormenores, a antiguidade dos brinquedos, numa época em que não havia muita variedade e que quem os tinha, tinha muita estima por eles".

"Construir" esta exposição não foi uma tarefa fácil, e só se tornou possível com a ajuda da Majora, empresa que produz jogos e brinquedos há décadas e do coleccionador particular Carlos Anjos. E foi graças à Majora que é possível aos visitantes "brincar um bocadinho, porque ter uma exposição de brinquedos em que não se pode brincar com nada era um pouco inconveniente", diz Sara Lobão.