“Vai ser muito penoso para todos perder o tribunal”

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“Eu estou muitíssimo preocupado que, com estas diligências que estão a ser feitas pelos senhores magistrados, passemos de um momento em que temos alguma coisa e podíamos ficar com alguma coisa no nosso concelho, para ficar absolutamente sem nada”. A afirmação é do presidente da Junta de Freguesia de Moreira da Maia, a propósito da oposição assumida pela Delegação da Maia da Ordem dos Advogados à transferência dos serviços de justiça do centro da Maia para um edifício de escritórios na zona industrial.

Teme Albino Maia que alguns serviços acabem por ser transferidos para outros concelhos, como Gondomar ou Matosinhos, no âmbito do novo mapa judiciário. Porque são espaços onde “existem melhores instalações para esse fim”. O autarca vai mais longe, ao afirmar que os magistrados “estão a arruinar a possibilidade de termos alguma coisa na Maia ligada ao mapa judicial”.

Mais do que indústria, Albino Maia sublinha que a zona onde se insere o edifício de escritórios que poderá vir a albergar os serviços de justiça é agora uma zona maioritariamente de serviços. Aliás, a mesma onde está o Tecmaia – Parque de Ciência e Tecnologia da Maia, em que “a Câmara da Maia apostou muito sobre aquele desenvolvimento tecnológico”. Sobre o edifício, em particular, mesmo em frente ao parque, o autarca da Vila de Moreira entende que “reúne todas as condições que a justiça precisa para o desenvolvimento da sua actividade”. Albino Maia diz mesmo que, apesar de ser “magnífico”, está fechado e parado. Porque, diz o presidente, as pessoas “que andam à volta destas coisas” demonstram com as posições que têm adoptado que “desconhecem o local”:

[audio:DESCONHECE.mp3]

O argumento da falta de transportes públicos para o local é outra das questões comentadas por Albino Maia, sustentando que os cidadãos de algumas freguesias do concelho também não têm ligações disponíveis para o centro da Maia, onde estão actualmente concentrados os serviços de justiça. Daí concluir que o que está em causa é a retirada destes serviços do centro, apesar de considerar notório que este “não convive bem com o tribunal”:

[audio:RETIRADA.mp3]

O presidente da Junta de Freguesia da Vila de Moreira vai mais longe ao afirmar que os magistrados, “muitos deles ao terem os seus escritórios no centro da Maia, não vêem bem que o tribunal se desloque para outro sítio”. Apesar da possibilidade de terem que se deslocar para outros serviços de justiça fora da Maia. Como? De carro, arrisca o autarca.

Ainda sobre os transportes para a Rua Engenheiro Frederico Ulrich, Albino Maia sugere um exercício de memória até ao momento em que era presidente da Câmara Municipal da Maia o falecido José Vieira de Carvalho. Na altura, a autarquia apresentou um pedido para a criação de uma carreira da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) que servisse aquela zona. Foi aprovada pela STCP, mas chumbada pela então Direcção-Geral de Transportes Terrestres (DGTT) e “basta haver vontade e pô-la em funcionamento”. Até porque a chegada do Metro do Porto “atenuou um pouco essa situação, mas não resolveu”, sendo que a linha da STCP a que se refere “se articula perfeitamente com o centro da Maia e com a linha do metro”. Logo, “porque é que os senhores magistrados não ajudam a que ela se implemente?”, questiona.

Estacionamento autónomo

Albino Maia sustenta ainda que a necessidade de transportes públicos na zona não é exclusiva de quem pretenda deslocar-se a algum dos serviços de justiça, recordando que “tem lá muitos trabalhadores”. Só a título de exemplo, refere que no Tecmaia deverão trabalhar cerca de 700 pessoas, concluindo que todos têm os mesmos direitos. Mas, ainda assim, reconhecendo que mesmo com transportes públicos disponíveis, as pessoas só os utilizam “quando têm dificuldades financeiras”.

A pensar nos que se desloquem com viatura própria, o presidente da Junta de Freguesia da Vila de Moreira acrescenta que o edifício para onde o Ministério da Justiça pretende transferir os serviços tem espaço próprio de estacionamento, “que nenhum dos edifícios que se aponta para o tribunal tem, neste momento”.

Conclui Albino Maia que, apesar deste edifício na Rua Engenheiro Frederico Ulrich se afigurar como uma solução imediata, “estamos sujeitos a perder tudo por intrigas pessoais do ”quero, posso e mando” que alguns senhores ainda detêm, em termos de responsabilidade, no nosso concelho”. E com prejuízos “para todos os maiatos” e não apenas para os moreirenses, admitindo que “vai ser muito penoso para todos perder o tribunal”.

Marta Costa

1 COMENTÁRIO

  1. Talvez se os Srs Presidentes da Junta e da Câmara tivessem feito o seu trabalho durante os largos que por cá andam, houvessem agora transportes públicos que servissem toda a freguesia de Moreira.
    Chorar sobre o leite derramado não adianta de nada…

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