“Ver com as mãos” lema que distinguiu alunas da Secundária da Maia

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A miniempresa BLooks da Escola Secundária da Maia, foi uma das finalistas do programa “A Empresa”, promovido pela JA (Junior Achievement) Portugal, e foi a equipa vencedora do Prémio Randstad: um estágio durante cinco dias nos escritórios da empresa.

A miniempresa desenvolveu um livro infantil com frases em braile, que pretende dar a conhecer às crianças invisuais/amblíopes uma realidade que lhes é desconhecida.
A JA Portugal promove todos os anos o empreendedorismo dos jovens através do concurso, que visa a criatividade dos estudantes até aos 21 anos na elaboração de um projeto para criar uma miniempresa.

Odília Martins, professora da turma de Economia C do 12º ano da Secundária da Maia, desafiou os seus alunos, que formaram seis grupos e concorreram cada um com o seu projeto. No dia 22 de abril, decorreu a Feira (I)Limitada, onde aconteceu a eliminatória da Região Norte: de 31 projetos foram apurados oito para participarem na Final Nacional. E nesta última competição, no dia 23 de maio, o grupo Blooks foi um dos distinguidos.

Quatro raparigas entre os 17 e os 18 anos – Mariana Peixoto, Mariana Maçães, Mafalda Andrês e Sofia Araújo – formam este grupo dinâmico, que levou ao concurso, além da ideia estruturada, um protótipo do produto que criaram, o livro ‘O Pássaro Tico’.

Ao longo do ano letivo, as alunas provaram o seu dinamismo. A ideia surgiu através da vontade de Sofia Araújo querer “oferecer uma prenda a uma prima de três anos, que é invisual”. Teve dificuldade em encontrar um livro de histórias para oferecer e falou com as colegas que talvez pudessem, no âmbito do projeto, criar um livro que “contemplasse uma história para quem vê, mas, lado a lado, tivesse a componente em braile, possibilitando um intercâmbio entre quem vê e os invisuais, e que incluísse também a vertente pedagógica”.

O trabalho progrediu para a elaboração da história, com a ajuda de uma escritora, a criação das ilustrações e depois procuraram estabelecer um protocolo com a Santa Casa da Misericórdia, que mantém uma gráfica que imprime em braile.
As jovens ainda conseguiram o apoio da Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que escreveu o prefácio do livro.

Só falta encontrar um patrocinador para editar a obra, pois o grupo é ambicioso e não quer deixar o projeto na gaveta. Já existe até na forja uma segunda história para outro livro. O lema do projeto destas alunas é “Ver com as mãos”.

As alunas do BLooks não conseguiram o apuramento para a competição europeia, que se realiza na Suíça, em julho, mas ganharam muito “a nível pessoal e profissional neste ano letivo”. “Sentimos que crescemos muito e vencemos muitas das nossas limitações”, afirmaram com satisfação ao Primeira Mão. As estudantes aprenderam a trabalhar em equipa, a tomar decisões sob pressão, a elaborar orçamentos e a dirigir propostas a empresas. “Foi um enriquecimento muito importante e que vai constar do curriculum destas jovens, que traz muito orgulho à escola maiata”, confirmou a professora Odília Martins.

As alunas ainda estão na expetativa de frequentarem o estágio numa empresa de recursos humanos, cuja data ainda não está marcada, e onde esperam acumular outras novas aprendizagens de valorização curricular.

Angélica Santos