Vicentinos Santa Maria de Avioso tiveram mais pedidos de ajuda no final de 2020

0
161
imagem zoom
- Publicidade -

Margarida Machado é presidente do Conselho de Zona da Maia, Nossa Senhora da Paz, e responsável pela Conferência Vicentina de Santa Maria de Avioso. Em conversa com o Jornal Primeira Mão, revelou que a pandemia trouxe algumas adversidades na ajuda aos mais desfavorecidos.

Margarida Machado afirma que o impacto da pandemia não foi sentido de forma imediata pela equipa Vicentina. Segundo ela, houve um grande envolvimento das autarquias da Maia com o reforço de apoios sociais e na articulação dos apoios com as Conferências de todo o concelho, “principalmente no fornecimento de alimentos”.

A responsável pela Conferência Vicentina de Santa Maria de Avioso explica que, para além da ajuda das autarquias, Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, houve um grande envolvimento “de particulares”, que começaram a distribuir refeições. Assim, segundo Margarida Machado, na primeira fase da pandemia, a missão solidária não foi “tão diferente do habitual”.

A responsável pela Conferência Vicentina de Santa Maria de Avioso explica que o trabalho efetuado pela equipa se divide em “dois grupos”. O primeiro que corresponde às “pessoas de pobreza geracional”, ou seja, “pessoas que não têm recursos, não possuem formação nem emprego”. Depois existem casos de “exclusão social, como é o caso da etnia cigana” e que segundo Margarida “por mais formação oferecida pelos centros de emprego, a situação não é fácil”.

Margarida Machado indica que as dificuldades se começaram a fazer sentir “nos últimos meses de 2020”. É nesta fase que começam a surgir os “novos pobres” e que, segundo a responsável, são pessoas “com qualificações, que já viveram bem e que agora se veem nesta situação repentina de precariedade de emprego”.

Decorrente da situação anterior, Margarida Machado enumera dois grupos diferentes que se podem constatar. O primeiro integra “pessoas que tinham empregos estáveis e que em janeiro/fevereiro de 2020, na hora errada, decidiram estabelecer-se por conta própria, abandonando os empregos estáveis que tinham”, e o segundo, “normalmente imigrantes brasileiros, que, com os atrasos dos organismos que lhes fornecem as legalizações, não conseguem ter acesso a emprego nem a serviços de saúde”.

A Conferência Vicentina de Santa Maria de Avioso abrange normalmente 30 famílias “oscilando sempre, porque há famílias que deixam de precisar de ajuda e dão lugar a outras”. Depois da pandemia apareceram mais 6 famílias com pedidos de ajuda.

Segundo Margarida “é muito gratificante quando as pessoas nos dizem que já arranjaram emprego e que já não precisam do nosso apoio”.
“A nossa missão é criar condições para que as pessoas consigam sair da pobreza”, acrescenta.

‘Mais tarde é tarde demais’

Com as limitações impostas pela pandemia, a Conferência de Santa Maria de Avioso viu-se obrigada a suspender celebrações e atividades, como por exemplo, vendas solidárias. Estas atividades ajudavam a equipa a obter receitas para responder às necessidades das famílias.

No entanto, Margarida Machado explica: “somos um movimento católico e temos a Sociedade de São Vicente de Paulo a ajudar-nos incondicionalmente. Temos o pároco que nos apoia em tudo, assim como os paroquianos. Também houve uma iniciativa da parte de pessoas externas que se dirigiu a nós com vontade de colaborar” e foi assim “que conseguimos continuar a ajudar as famílias”.

Margarida confessa que, embora tenham conseguido manter o auxílio, “a necessidade de aproximação física ficou muito limitada. Nós já não podemos entrar em casa das pessoas e há situações em que era necessário fazermos essa entrada para verificar determinadas condições e até para dar sugestões”.

Muitas vezes, entidades como a Segurança Social encaminham determinadas pessoas para esta equipa vicentina, pois “os nossos processos são mais rápidos e menos burocráticos.

O nosso lema é sempre ‘Mais tarde é tarde demais’ e, por isso, se for uma necessidade alimentar ou de medicação, ajudamos imediatamente”, explica a responsável pela Conferência, acrescentando que “depois avaliamos se a família precisa de continuar com a nossa ajuda ou se foi apenas um caso isolado”.

- Publicidade -