Voluntários deixaram a Maia mais limpa

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A chuva não era convidativa, mas a maioria não esmoreceu e no passado sábado acordou com uma missão: Ajudar a Limpar Portugal. Neste caso, ajudar a limpar a Maia. Estavam cerca de 650 os voluntários inscritos no grupo da Maia para colaborar no dia L, no entanto, o tempo acabou por afastar alguns.

Os voluntários estiveram espalhados um pouco por todo o concelho e, ao final da manhã, depois de cumpridos alguns compromissos de agenda, o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes, juntou-se a um grupos formado por elementos do Agrupamento de Escuteiros da Maia que limpavam uma lixeira junto à Staples. na freguesia de Barca. “Estou orgulhoso. Todos eles merecem um voto de louvor e um voto de apreço. A todos o meu muito obrigado”, afirmava o autarca depois de uma ajuda simbólica que deu ao grupo.

Este foi um dos locais onde o grupo já procedeu à separação dos materiais para reciclagem. À entrada da rua viam-se os sacos amarelos, verdes e para indiferenciado. Ao lado, foram sendo colocados alguns materiais, entre os quais os habituais pneus, latas de tinta e baterias de automóveis. “Sei que são cerca de 100 toneladas que vão ser recolhidas no concelho e aproximadamente 50 por cento teve como destino a reciclagem, nomeadamente plástico e vidro”, dizia Bragança Fernandes.

O presidente prefere não chamar-lhes lixeiras. Optou pela expressão “amontoados de entulho” que, afirma, na maioria dos casos “são deixados aqui por pessoas pouco civilizadas”. Até porque, acrescenta, na Maia não se justifica este tipo de comportamento. “Nós temos ecopontos, temos ecocentros e inclusive vamos a casa das pessoas recolher colchões, frigoríficos, e outras coisas e as pessoas não pagam nada por isso. Portanto, não entendo porque é que as pessoas continuam a ter este tipo de comportamento”.

Bragança Fernandes fala em “pessoas menos educadas em termos ambientais”, que aproveitam alguns novos arruamentos, em locais com pouca iluminação e despejam os detritos das pedreiras e de obras de casa. O edil está convencido que “muitas vezes acontece porque são pessoas de fora do concelho”.

E a título de exemplo apontou a área de Vilar de Luz, na Freguesia de Folgosa, que fica na fronteira com Santo Tirso e com a Trofa. “Muitas vezes, apanham os nosso guardas distraídos, no aeródromo e colocam lixo de outros concelhos e até chegam mesmo a deixar lá os animais abandonados porque sabem que nós temos canil”, conta o autarca.

Apesar de se dizer por ainda existirem “tantas lixeiras”, garantiu que a edilidade e a própria Maiambiente vão “tentar acabar” com elas na esperança “que não se volte a repetir”. Para já, não deixou de dar os parabéns a quem tomou a iniciativa, e a todos os voluntários que colaboraram “para o bem de Portugal e, neste caso, da Maia e contribuíram para uma Maia mais limpa”. Também não esqueceu o agradecimento à Maiambiente, “que colaborou com toda a operação”, e à Protecção Civil. “Congratulo e felicito todos os que trabalharam e deixo o meu apoio para que isto continue”.

PLP na Maia ficou “muito aquém das expectativas”

Estavam sinalizados 178 pontos de deposição ilegal, na Maia, para serem recolhidos no Dia L, no âmbito do Projecto Limpar Portugal, mas para desânimo da coordenação da Maia, nem tudo foi feito. De acordo com o coordenador concelhio, João Guimarães, foram intervencionados 76 pontos em todo o concelho e completamente removidos cerca de 18. “Ficou muito aquém das expectativas. Muito mesmo. Ficamos um bocado com a sensação que nem metade do trabalho foi feito”, afirma.

João Guimarães acrescenta ainda que em três ou quatro freguesias nem sequer chegaram a fazer intervenções. Freguesias onde apareceram poucos voluntários que acabaram por ser encaminhados para outras para se juntarem a outros grupos. “Achamos que seria mais vantajoso dessa forma”, justifica.

De acordo com João Guimarães o número de voluntários registados andou à volta dos 650, no entanto, no dia L, no terreno só apareceram cerca de metade. “Nós precisaríamos mais do que os que estavam inscritos para conseguir elaborar o trabalho que era previsto fazer no sábado, contudo um dos principais motivos terá sido a chuva que se fez sentir e que fez com que só tivessem aparecido 304 voluntários”, conta.

Mas isso não aconteceu, diz o coordenador concelhio, por falta de voluntários. A falta de meios e de transporte também não facilitou a tarefa. A verdade, acrescenta, é que essa lacuna também não se fez sentir tanto porque devido à chuva, quase metade dos voluntários não apareceram para “limpar a Maia”.

Mas fazendo um balanço com o número de voluntários que apareceu, João Guimarães sublinha que estes viram “com os próprios olhos” a situação que se vive em termos de depósito ilegal de resíduos no concelho da Maia. E onde houve intervenção foi “um trabalho bem feito”. “Onde houve gente suficiente para efectuar a limpeza dos resíduos foi concretizada, foi recolhida através da Maiambiente que desempenhou um papel muito importante e principal”. Em alguns casos, esperaram mesmo por uma melhoria das condições climatéricas para terminarem o trabalho que tinham começado, conta.

Quanto ao trabalho que ficou por fazer, o coordenador concelhio do PLP confessa que ficou com a ideia de que em todos os voluntários ficou uma vontade de terminar aquilo que começaram. Mas isso depende de vários factores, confessa. Mas “se houver oportunidade de se fazer uma acção local, pode-se pensar e acho que do resto dos voluntários há vontade disso. Há vontade de trabalhar para uma Maia mais limpa”, concluiu João Guimarães.

Isabel Fernandes Moreira