World Press Photo: Fotografias que mudam vidas

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Jodi Bieber, South Africa, Institute for Artist Management/Goodman Gallery for Time magazine

Os Talibãs chegaram durante a noite e pediram a Bibi Aisha, de 18 anos, que se prestasse à justiça. Uma estranha justiça esta, ordenada por um tribunal sem lei que julgou Bibi por ter saído de casa do marido e regressado à da família, após ter sido sujeita a mãos tratos e a violência. Esta é a província de Oruzgan, Afeganistão, e quem manda aqui são os talibã. A família nada pôde fazer.

O ‘julgamento’ foi rápido. Um comandante talibã proferiu a sentença. Seria exemplar. Para que não haja outros casos. O cunhado de Bibi agarrou-a e o marido cortou-lhe as orelhas e o nariz. Assim, desfigurada e humilhada, Bibi foi abandonada à sua sorte. Acabou resgatada por militares dos EUA, depois de recolhida por funcionários de agências humanitárias. Esteve num refúgio de mulheres em Cabul durante algum tempo, antes de seguir para os Estados Unidos, onde recebeu acompanhamento médico e psicológico, uma cirurgia para reconstrução facial. E é a este país que agora chama ‘casa’.

A World Press Photo regressa ao Fórum da Maia no final do ano, entre 17 de Novembro e 13 de Dezembro.

Um regresso ao passado. Para explicar que a história desta jovem mulher ficou marcada por um encontro, ainda em Cabul, com a repórter fotográfica sul-africana Jodi Beiber, que se encontrava no refúgio em reportagem. O retrato que Beiber fez de Bibi foi capa da revista Time no dia 1 de Agosto de 2010. A imagem e a história que a acompanhava sensibilizaram várias consciências. A Grossman Burn Foundation, uma organização humanitária da Califórnia, resgatou a jovem de Cabul e financiou as operações que lhe mudaram o rosto.

A fotografia que se tornou a vencedora do World Press Photo de 2010 pode ter sido a salvação de uma vida. E quem sabe ajudar outras.
A fotógrafa Jodi Beiber não é inexperiente nestas andanças. Já venceu oito prémios do World Press Photo. Para o presidente do júri, David Burnett, “esta pode tornar-se numa das fotografias – e só deveremos ter umas dez – que quando alguém nos dizer ‘sabes, aquela foto da rapariga’, saberemos exactamente de qual nos estão a falar”.

Quando lhe disseram que tinha vencido o prémio, Jodi nem queria acreditar. Mais tarde, num segundo comentário para o WPP, contou que admitiu alguma insegurança e dúvida ao fotografar Bibi, por causa das tradições locais.