Zoo da Maia vai passar a ter o dobro do espaço

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O alargamento do Zoo da Maia vai ser, finalmente, uma realidade. Ao fim de vários anos de negociações, a Câmara Municipal da Maia conseguiu chegar finalmente a acordo com os proprietários do terreno que passará a ser ocupado pelo jardim zoológico.

São cerca de 20 hectares, avaliados em vários milhões de euros. Actualmente, o parque zoológico ocupa uma área de, aproximadamente, 20 hectares. Ou seja, vai passar a ter o dobro do espaço, crescendo para poente. “Graças à solidariedade das forças políticas e da câmara em particular, conseguiu-se desbloquear a situação”, refere Carlos Teixeira.

A formalização do acordo entre a Câmara da Maia, a Junta de Freguesia da Maia e os proprietários do terreno deverá acontecer em meados de Março ou Abril. Um momento que Carlos Teixeira considera de grande importância, uma vez que está em causa o futuro do Jardim Zoológico da Maia, considerado por muitos uma das referências do concelho e Norte do país. Por ano, recebe mais de meio milhão de visitantes.

Carlos Teixeira considera que o acordo conseguido pela autarquia foi um “negócio inteligente” em que nenhuma das partes saiu prejudicada. Trata-se de uma espécie de “permuta”. Os 20 hectares que passam para a posse do município constituem uma parte de um terreno que a câmara terá de urbanizar, como “compensação”, dividindo o terreno em cerca de “12 a 14 lotes” para construção de habitações.

Desta forma, “a câmara acabou por adquirir um terreno a bom preço e os proprietários conseguiram também uma utilização rentável do restante terreno”, comenta.

Carlos Teixeira lembra que há cerca de 15 anos, o então presidente da câmara, José Vieira de Carvalho, tinha tentado adquirir o terreno para alargar o Zoo, mas o negócio acabou por ficar sem efeito, uma vez que os proprietários exigiam cerca de “um milhão de contos”.

Ultrapassada que está a questão do terreno, o crescimento do Zoo será, a curto prazo, uma realidade. E constitui uma peça vital para a melhoria das condições dos animais que acolhe e para a conclusão do processo de licenciamento. Isto depois, das várias pressões de que tem sido alvo por parte da Direcção Geral de Veterinária e do Instituto da Conservação da Natureza para o cumprimento das normas em vigor.

Com mais espaço e actividades

O projecto científico e pedagógico que irá possibilitar o alargamento do Zoo está a ser concluído pela câmara municipal. A área destinada às instalações de quarentena já está definida, e deverá ser a primeira obra a arrancar. “Com o projecto científico e pedagógico aprovado e com a quarentena instalada, e o alargamento e melhoramento dos habitats, penso que não haverá qualquer impedimento ao licenciamento”, admite o autarca. Carlos Teixeira esclarece que o alargamento será feito por fases, e o objectivo não será aumentar o número de animais, mas antes, proporcionar aos actuais residentes uma melhor qualidade de vida. Na sua totalidade, o autarca prevê que o alargamento esteja concluído “daqui por um ano”. Até lá, e à medida que as várias fases estiverem concluídas, “serão constantes as inaugurações”, de forma a que todos possam acompanhar a sua evolução.

O presidente de junta assume o compromisso de transformar o Zoo da Maia “num dos melhores do país”. “Vamos ter um jardim pequeno, mas de alta qualidade, vocacionado para a preservação de espécies, visitas e actividades pedagógicas para as escolas”, salienta. Actualmente, já decorrem algumas actividades direccionadas para a comunidade escolar. Nomeadamente visitas guiadas por uma bióloga ao Zoo e à maternidade de aves. Outra das preocupações do alargamento é a melhoria dos espaços de circulação e de lazer de forma a cativar um maior número de visitantes. “A parte de lazer e lúdica é a primeira prioridade do jardim”, garante. De acordo com o responsável pela gestão do jardim zoológico, em Março deverá ficar concluído um novo parque de merendas com capacidade para cerca de 400 pessoas. “Vai ser arborizado e relvado, com mesas e com tudo o que é necessário para as escolas terem um acolhimento digno”, explica.

O alargamento possibilitará ainda a criação de algumas hortas biológicas, tal como já acontece com as hortas da estação que de acordo com o autarca, têm tido muita procura.

A ideia será possibilitar a exploração desses espaços por parte dos residentes da freguesia, que em contrapartida, contribuirão com alguns produtos para a alimentação dos animais.

À medida que os animais vão sendo instalados nos seus novos habitats, serão alargadas as áreas destinadas aos visitantes. Estão contempladas áreas de descanso, restaurante, bar e esplanadas. A ideia será proporcionar um leque variado de actividades e condições que proporcionem aos visitantes um dia bem passado, sobretudo às famílias e aos milhares de alunos que todos os anos passam por ali. Outro dos projectos que o autarca tem em mente é a criação de uma escola de equitação. E desde já, conta com a receptividade da Guarda Nacional Republicana para participar no projecto. De “imediato” será implementado um projecto de educação ambiental em parceria com a Lipor. “Temos um pavilhão com cerca de 500 metros quadrados. O que se pretende é criar ali uma escola para as crianças assistir a projecções, a explicações sobre questões ambientais”, adianta. Um projecto que diz estar em “fase muito adiantada”. Não será também esquecido o projecto de despoluição do Rio Leça, que está a ser implementado no território da Maia.

O investimento que o alargamento irá implicar não assusta Carlos Teixeira. Primeiro, porque não será muito elevado, e segundo, porque as receitas geradas pelo Zoo serão suficientes para a sua concretização. “Tenho a certeza absoluta que os custos não assustam ninguém. Com as receitas do Zoo e mais a ajuda que, eventualmente, a câmara vai dar, vai ser possível alargar o jardim”, admite.

Futuro do Zoo passa por uma fundação

Depois de concretizado o alargamento e o respectivo licenciamento, o presidente da Junta de Freguesia da Maia pensa constituir uma fundação, onde a junta estará representada, tendo como parceiros a câmara municipal e uma entidade privada. “Penso que a fundação é uma questão essencial para a consolidação e protecção do jardim, porque é uma instituição que não vai criar muitos encargos à fundação. Se for bem gerido, pode criar até verbas excedentes que serão para melhoria do jardim, sem sobrecarregar muito os parceiros”, considera. Não será, por isso, diz Carlos Teixeira, “uma aventura” para as entidades que fizerem parte da fundação, “porque o jardim, se bem gerido, é auto-suficiente”.

Permitir o livre acesso dos maiatos ao parque zoológico será uma das medidas que Carlos Teixeira pretende implementar, quando a fundação estiver constituída. Actualmente, são apenas os residentes na freguesia da Maia que têm acesso livre ao parque, mediante a apresentação do cartão de residente. A ideia será disponibilizar este cartão a todos os residentes no concelho.

Uma medida que do seu ponto de vista não terá grande influências nas receitas do parque, uma vez que “95 por cento” dos visitantes são “de fora”, desde Leiria, Aveiro, Paredes, Penafiel.

Um futuro diferente do passado

Numa alusão ao passado, Carlos Teixeira espera que seja passada uma “esponja” sobre os momentos menos positivos que o Zoo viveu nos últimos anos, e que chegaram mesmo a colocar em causa a sua continuidade. A PRIMEIRA MÃO lembra que o Zoo deu os seus primeiros passos em 1985, e de uma forma que “não podia ser outra”. “Sem dinheiro, sem conhecimentos, sem legislação”, lembra. Anos mais tarde, as mudanças na legislação para o sector veio “implementar” normas que o Zoo não cumpria. E nem sempre conseguiu cumprir os prazos exigidos para cumprir a lei, uma vez que isso implicava todo um conjunto de alterações num equipamento que já existia. “Numa obra que já existe, alterar é muito mais complicado. E essa alteração foi um bocadinho morosa, e então, criou-se uma certa pressão que a junta não tinha capacidade para, com celeridade, conseguir satisfazer o que nos exigiam”, recorda. Com um esforço extra por parte da Junta de Freguesia da Maia, gestora do espaço do qual dependem seis dezenas de funcionários, o Zoo tem vindo, passo a passo, a adaptar-se às exigências da lei para o sector. Uma situação que o autarca reconhece ter “inviabilizado” vários projectos que tinha para a freguesia, “porque houve uma a absorção de tempo que me limitou bastante noutras iniciativas”. Agora, espera puder concretizar alguns do projectos que tem há vários anos para a freguesia.

Fernanda Alves